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terça-feira, 28 de junho de 2011

A DESPEDIDA DO PEDRÃO COM A CHEGADA DO FRIO

     Eu já fiz um comentário anterior sobre o Pedrão, o mendigo que chegou na Praça da Pernambucanas de Maringá e ali se estabeleceu por um bom tempo.    Se por um lado o Pedrão não era de muitos amigos, acho que é porque o pessoal ficava assim um pouco arredio ao ver aquela pessoa alta, magra, barba comprida e cabelo despenteado, por ali vagando sempre acompanhado por seus dois cães fieis.   A cama do Pedrão era o banco da praça e toda sua mudança cabia num saco não tão cheio que ficava sempre sob a vigilância dos seus cães.    Não dava para passar muito perto da bagagem e os cães mostravam que aquilo ali tinha dono.
     O Pedrão ficava no banco da praça vizinho de uma banca de jornais muito tradicional no pedaço.  Banca sob os cuidados do prestativo seo Mateus e sua família, todos muito simpáticos.     Eis que conseguiram até a amizade do arredio Pedrão e seus cães.    Da amizade nasceu até a colaboração mútua espontânea.   O Pedrão logo cedinho pegava uma vassoura e deixava os arredores da banca limpinho e sabia que vinha todo dia a recompensa na forma de um café com lanche preparados na hora.     
    O tempo vai passando, o outono chegando ao fim, as andorinhas da rodoviária já se mandaram sabendo que o frio vem chegando e antes que a "cuica ronque", o Pedrão um dia viu que era hora de partir para um lugar mais ao norte.     Não sem antes avisar seu amigo Mateus, vizinho da banca a quem era muito grato.      Pediu inclusive uma carona no dia da viagem, até a rodoviária de Maringá, com destino a uma cidade do oeste paulista.
     Chegou o dia e a hora, lá vai o seo Mateus dar a carona para o Pedrão, após lágrimas de gente da família de um e tristeza da parte do que partia.     É  tão bom ver que ainda tem muita gente boa e acolhedora neste mundo de Deus!!!    E o Pedrão tinha sentido isso na pele na sua temporada de Maringá.  
      O seo Mateus para sua Ipanema em frente à banca, abre o porta malas para o Pedrão colocar a sua parca bagagem e o cachorro mais apegado ao Pedrão, o Totó, ficou desesperado.    Para onde iria seu amigo fiel?    Como ficaria sem ele?    O que seria de um e de outro?      Foi o Pedrão entrar pela porta do passageiro e o Totó voou pro seu colo com cara de daqui eu não saio, daqui  ninguém me tira.   Deu um bom trabalho para o seo Mateus para tirar o Totó do colo do Pedrão.    Mas ao abrir a porta do motorista para partir, o Totó, como um raio entrou de novo no carro e nova operação de tirar o cão do carro.     De coração partido, partem para a rodoviária.
     Ao voltar, o seo Mateus percebeu que o Totó, que todo dia recebia sua ração diária e água limpa e fresca na banca, nem olhava para ele, que tinha sido o culpado pela partida do Pedrão, achava isso o cão.    Foi uma semana o Totó emburrado, sem olhar para seu novo cuidador, zeloso cuidador por sinal.    Depois, vieram algumas bombas de festas juninas e apressaram o reatamento da amizade entre o pessoal da Banca e o Totó, que ao ouvir um estouro, corria para dentro da banca se abrigar debaixo do balcão, junto aos pés dos donos da Banca.    Quem tem amigo tem tudo, inclusive segurança.     E a vida continua.

      orlando_lisboa@terra.com.br

sexta-feira, 17 de junho de 2011

AQUÁRIO DE BELO HORIZONTE - PEIXES DO VELHO CHICO

              
                                                                  Foto de Poliana Lisboa    

  Na visita que fizemos a Belo Horizonte ficamos sabendo pelo material turístico de lá, que havia um Aquário inaugurado há pouco tempo dentro do Zoológico da cidade.    Resolvemos ir lá conferir a novidade.     O Aquário é temático por assim dizer,  pois contém espécimes de peixes da fauna do Rio São Francisco.     O  prédio é novo, foi feito para esta finalidade, é grande e os aquários são praticamente do piso ao teto, muito bem iluminados e decorados, com areia no fundo e alguns galhos secos simulando o fundo do rio.    Os peixes nadando de um lado para outro, sossegados, observando as pessoas que transitam por lá.      Muitas crianças de escolas em visita com fins didáticos.   Não deixa de ser uma aula para não se esquecer jamais.
     A foto em close é de um belo dourado, o nosso nobre salmão brasileiro.     Está ou esteve presente na maioria dos rios do Brasil afora.   Hoje em dia com a poluição, a pesca predatória esse peixe majestoso anda meio escondido, mas mesmo o nosso Rio Paraná por aqui ainda tem dourados, que gostam de corredeiras, pois é um peixe predador e está sempre em busca de alimento.
     Por falar em Rio Paraná, aqui no Norte do Paraná, andaram soltando de forma irresponsável pelo Rio Paranapanema que é afluente do Rio Paraná o tununaré que é um peixe da Amazônia.   O tucunaré é um predador voraz e está ameaçando a fauna nos rios daqui.      A nossa UEM Universidade Estadual de Maringá tem no curso de Zootecnia o Nupélia que é um núcleo de pesquisas na área de fauna aquática, na qual os peixes estão incluidos.   Os estudos deles é bem respeitado por aqui e lá fora do país, inclusive.    
    Seria uma boa idéia uma certa grande Hidrelétrica aqui do Paraná também bancar a construção de um aquário enorme, à altura da grandeza do Rio Paraná, com a fauna deste rio.   Por que não???    Quanto mais conhecemos a fauna, mais chance teremos de preservá-la.    Acho uma boa!

   orlando_lisboa@terra.com.br

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Cenas do Cotidiano - 09-06-2011

Cenas do cotidiano
Cena 1 - Estou na rodovia no momento de rush, vindo de Nova Esperança para Maringá. Um furgão puxando uma lenta fila de uns dez carros e eu era o último.
Na minha frente, uma viatura discreta da Policia Rodoviária Federal, quase toda preta, com a indicação da Polícia no parachoque trazeiro. Hora do lusco fusco, lá pelas 18 h.
Cena 2 - Atrás pinta uma moto com aquelas famosas luzes de xenon, que foram proibidas porque incomodam demais os outros motoristas. Multa de 129,00 para quem usa e 5 pontos na carteira quando é pego.
Cena 3 - A Polícia Rodoviária na minha frente, dá sinal e vai pro acostamento e dá sinal para a moto parar...
Cena 4 - antes da moto parar, o motoqueiro num piscar de olhos, muda num toque no painel, o tipo de luz da moto, para luz normal.
Cena 5 - Motoqueiro no colo dos guardas. O truque de mudar o tipo de luz foi tarde demais. Esse, espero, não vai mais encher o saco da gente na estrada com aquela luz fora de base e fora da lei. Dançou.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O DÍZIMO DA NATUREZA

     Na segunda feira passada, dia 23 de maio,  numa tarefa de rotina como engenheiro agrônomo, fui avaliar uma propriedade rural lá em Querência do Norte-PR que fica na divisa com o Mato Grosso do Sul e é banhada pelo Rio Paraná.      Naquela região há extensas várzeas do rio e há bastante plantação de arroz irrigado.    Em todas as épocas do ano que visitamos a região da várzea, avistamos bastante espécies de aves, incluindo muitos tipos de patos silvestres, garças, gaviões e muito mais.   É  um espetáculo a céu aberto.
     Nesta visita, passando ao lado de uma roça de milho que está na fase de milho verde, notei que havia muita palha desfiada de milho verde em muitos lugares do carreador que faz divisa entre a lavoura e a mata ali do lado, dentro da fazenda.      Logo deu para perceber que aquilo era obra dos macacos silvestres que habitam por lá, pois se fosse obra de alguma pessoa, o normal é chegar num canto da roça, colher tantas espigas quanto se queira e ir embora.    Mas tinha palha em tiras finas pelo chão, formando carreirinhas, rumo da mata em muitos lugares.      Não demorou e um macaquinho saiu da roça com uma espiga e se mandou para a mata.
     Colocando os pingos nos is, aquelas terras pertenciam à fauna e os produtos da Mãe Natureza eram para prove-la.      Olhando por esse lado, os macaquinhos do pouco da floresta que deixaram na fazenda estão apenas levando um pouquinho do que por direito de tempos insondáveis é deles.    Um pequeno dízimo apenas.  


                              orlando_lisboa@terra.com.br

sexta-feira, 20 de maio de 2011

MAUÁ - SP NO TEMPO DO VEREADOR SANVIDOTI


                             (foto do site www.ferias.tour.br)

     O tempo passa muito rápido e já faz um punhadinho de décadas que eu estudava no Colégio Viscondão e no trecho, no centro de Mauá, perto da estação do trem, tinha o Bar ABC onde a moçada se reunia principalmente na sexta feira depois da aula para jogar conversa fora e curtir as amizades.    
     Muito pertinho do Bar ABC ficava no primeiro andar a Câmara de vereadores de Mauá, que já foi num passado distante pertencente à comarca de Santo André.
     Não muito diferente dos outros municípios de ontem e de hoje, os vereadores em particular e os políticos em geral deixam a desejar e tudo por culpa dos eleitores que merecem as figuras que os representam no poder.
     São tantas barbaridades que acabam gerando um folclore político e depois a gente nem consegue separar o que foi fato ou boato.    Dizem que numa reunião acalorada na Câmara de Mauá do tempo do Sanvidoti mais ou menos,  os ânimos estavam tão acirrados que um deles, num lampejo de luz nas idéias teria pedido a atenção de todos, pois tinha uma solução magistral para o problema:   - Olha gente, não adianta esquentar a cabeça não.   Vamos devolver Mauá para Santo André e pedir desculpas pelo estrago.

     Outra vez  os vereadores perceberam que  na Avenida Barão de Mauá, há uns 100 metros da estação, onde a avenida faz uma curva para a direita, há uma micro pracinha com uma calçada circular de uns cinco metros quadrados.  Pelo menos havia.     E  nessa pracinha havia um pequeno obelisco de pedra.  Eis que os vereadores tiveram a idéia, dois de uma vez, de fazer uma obra pública naquela pracinha.  Um entrou com requerimento para a prefeitura colocar o busto do Barão de Mauá na pracinha,  numa homenagem àquele ilustre do passado que dá nome à cidade.   O outro vereador não deixou por menos, só que tentou ser mais prático.   Como o povo anda muito apressado por ali, indo e vindo de trem, a idéia foi de colocar um relógio na pracinha para que todos pudessem desfrutar da hora certa.  
     Na discussão na Câmara, um terceiro vereador teria dito:    Os dois nobres colegas tem que chegar a um acordo, se colocam o relógio no pulso ou no bolso do Barão de Mauá, pois o Barão e o relógio não cabem na praça...

terça-feira, 17 de maio de 2011

FALANDO UM POUCO DO CÓDIGO FLORESTAL PARA LEIGOS

     Como profissional de agronomia e como cidadão, acho que devo falar um poquinho do código florestal que está em discussão acirrada lá no Congresso Nacional.    Por profissão e paixão pela Natureza, venho acompanhando o caso e já assisti algumas palestras aqui na região com os protagonistas do novo código no Congresso Nacional, sendo um deles o deputado Moacir Micheletto, paranaense e o Aldo Rebelo, do PCdoB de SP, este que é o relator do  polêmico projeto.
     O Código vigente (já houve anteriores) é de 1965 e o pessoal que quer mudar o Código para pior (contra a Natureza) alega que por ser o código "velho", precisamos votar um mais moderno.    O grande "defeito" que eu vi no Código Florestal de 1965 é que ele ficou meio no papel e nossa Nação que a criou, não teve a coragem de colocá-lo em prática.      Grosso modo ele, junto com as leis que lidam com o assunto, garantem para a região Amazônica, a preservação de 80% da vegetação nativa; em grande parte do Brasil (inclusive todo o sul) 20% de Reserva Legal de mata nativa e nos biomas do Cerrado e Caatinga, ao redor de 35% de vegetação nativa.     Além disso, tem as chamadas APP ou PP que são as áreas de preservação permanente, como as matas ciliares (que protegem margens de rios, nascentes, etc), as encostas de morros com declive de 45% ou mais, restingas e alguns outros tipos de formação.   Vejam então que o Código de 1965 é moderno e a falha foi de quem não obedeceu o mesmo e que está fora da lei e por isso, esperneando.    
     Boa parte da polêmica da "lei moderna" que foi apresentada quer perdoar aqueles que desmataram em suas propriedades área superior àquela que a lei permitia.    Quer também que toda propriedade pequena  (abaixo de 4 módulos) não precise de ter a chamada RL Reserva Legal.    O módulo depende da aptidão do solo de cada região.   Aqui na região de Maringá um módulo é ao redor de 14 hectares.    Quer também que nas beiras de rios, nos lugares da PP em que a pessoa não deixou a mata ciliar, seja considerada área "consolidada" , já em uso tradicional e que esta área fique como está.    Aqui o complicador é o caso das pessoas que vem usando irregularmente as várzeas nas beiras dos rios para plantio de arroz.     Aqui pode pegar a questão social de quem depende dessa atividade neste tipo de solo de várzea.
     As beiras dos córregos mais estreitos tem que ter atualmente 30 metros de mata ciliar de cada lado e querem com o novo Código, passar a ter apenas 15 metros.   É um retrocesso isso.
     Há também alguns casos de plantio de plantas perenes como uva em declive acima de 45% (que é considerada PP) e mesmo de café em algum tipo de morro (acima de 45% de declividade)  principalmente no sul de MG.    Aqui também pode ter o lado social como complicador, se bem que a grande maioria dos morros estão abaixo do declive de 45%.
     Quando protegemos os morros muito íngremes, protegemos inclusive as populações que vivem nos entornos dos riscos de desabamento.
     Quando protegemos as beiras de rios, estamos evitando as enxurradas levando solo e mesmo agrotóxicos aos rios que contém a água que abastece nossas cidades.    Protegemos a fauna também.
     Em resumo é isso.     Ver que é algo que diz  respeito a todos nós, do campo e da cidade.  
     Esperamos que com a aprovação do novo código, o pessoal passe a respeitá-lo na forma da lei para o benefício de nós todos.    

sábado, 14 de maio de 2011

DESFILE DO ANIVERSÁRIO DE MARINGÁ E NIEMEYER

   (foto de Valkiria no blog  livros& risos)

     O desfile do aniversário de Maringá tem sido temático.    Neste ano, com justiça, resolveram homenagear o maior arquiteto brasileiro de que tive notícias, chamado Oscar Niemeyer, que já é mais que centerário e felizmente ainda está no nosso convívio.     Não sou nenhum especialista na obra dele e nem sou do ramo, mas nas visitas a obras dele espalhadas pelo Brasil e nas leituras de textos que abordam Niemeyer e sua obra, destacamos alguns pontos curiosos da obra dele.
     Catedral de Brasilia -  Destacamos que Niemeyer é comunista e ateu, mas com a cultura que tem, não teve a menor dificuldade para criar a Catedral de Brasilia.   Um dia lendo uma revista do Rotary,  esta dizia que o arquiteto O.N. se inspirou na coroa de espinhos de Cristo para conceber a fachada da Catedral de Brasilia.    Olhando para a obra ou sua réplica no caso da foto, faz sentido a explicação.
     Praça da Apoteose -  Para o sambódromo do Rio de Janeiro, por encomenda do governador Brizzola, ele criou o sambódromo que em tempo fora do carnaval, pelo que me informaram, as arquibancadas funcionam como escola regular, o que é muito louvável.   Um uso social para uma obra dessa envergadura.    O curioso é que no Sambódromo tem aqueles arcos invertidos que formam a chamada Praça da Apoteose, onde as Escolas de Samba desfilam em frente às autoridades e que fazem as manobras mais sofisticadas.    Li uma referência que o arquiteto ON teria se inspirado nos quadris de uma passista do samba para compor aquela Praça da Apoteose.    Verdade ou não, olhando para aqueles arcos, faz algum sentido.
     Museu O.Niemeyer - Museu do Olho - Em Curitiba.     Um dia eu visitei o museu ON em Curitiba, mas não consegui acesso ao Olho em si, que fica mais elevado do solo.    Mas deu para ver  muitas gravuras, no sub solo, de Pablo Picasso que foi um gênio na sua arte.
     Igreja de São Francisco - Na Lagoa da Pampulha - BH - Minas Gerais.   Faz pouco tempo que tive a oportunidade de ir visitar BH a passeio e visitei a região do lago da Pampulha e nem sabia que em volta do lago há umas quatro obras de ON, com destaque para a Igreja de São Francisco, dentro da qual tem também obra de vários artistas plásticos, sendo um deles, Cândido Portinari.    A igreja é bem pequena mas é ímpar em sua arquitetura e atualmente funciona como um museu que pode ser visitado e que vale a pena.
     Monumento a JK em Brasilia.   Neste, que é uma coluna de concreto reta que sobe uns 20 metros e forma uma meia lua onde fica a estátua de Juscelino, o presidente que  fundou Brasilia.   Após a meia lua, segue a coluna reta por mais um tanto.     Consta que o arquiteto, comunista que é e genial que sempre foi, teria com aquela obra feito uma pegadinha:    Olhando de longe a obra que é alta, representaria a foice e o martelo, o símbolo do comunismo da antiga URSS.    Pode ser que sim e pode ser que não... quem sou eu para dar o veredito no caso!
     O fato é que Oscar Niemeyer é o ícone da arquitetura do Brasil.   É  e será..