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sábado, 27 de julho de 2013

UMA PEQUENA CRÔNICA DA JUVENTUDE EM MAUÁ-SP

                  Gancho Gde. Antigo De Ferro Para T/ Balde De Poço        
                              (a ilustração foi retirada do Mercado Livre)



     Nosso colaborador (lá da página Mauá Memória no Facebook) Joao Colalillo Netto postou um gancho de tirar balde de poço e isto me fez recordar de uma pequena crônica de família.   Fomos morar em Mauá em 1961 na Rua Duque de Caixas, 284, Vila Bocaina, perto do antigo tanque ao lado da Avenida Itapark.    Família de sete irmãos, sendo quatro marmanjos.   E tínhamos o famoso poço em casa e a água no início era retirada na base do sarilho de metal com catraca para o balde não "dar ré".    De vez em quando a corda rompia e lá ia o balde para o fundo do poço.  Tinhamos então um gancho para retirar o balde do fundo do poço.     Os vizinhos sabiam do gancho e vez ou outra, tomavam o equipamento emprestado.    Perto de casa morava uma mocinha cujos neurônios às vezes confundiam as coisas e ela não batia bem, mas sabia que em casa havia quatro jovens e "um gancho" para tirar balde de poço.     Pois ela era uma freguesa relativamente assídua de bater palma em casa para emprestar o gancho ao ponto do pessoal de casa se referir a ela (entre nós de casa) como a "moça do Gancho".   Meu irmão mais novo era muito gozador (e ainda é!) e dizia que a moça ao chegar para pedir o gancho emprestado, ficava encabulada e confundia um tanto as coisas na pedida:       O meu gancho caiu no balde e eu vim emprestar o poço.     Ah, não!   O meu poço caiu no balde e eu vim emprestar a água...    Sendo ela a moça do gancho, ficava fácil resolver a parada.   Emprestava o gancho e ela ia feliz pra casa e logo voltava agradecida, devolvendo o gancho até a próxima demanda.     Coisas da vida.
       Autor:   Eng.Agr Orlando Lisboa de Almeida


segunda-feira, 22 de julho de 2013

DICAS QUE FORAM REPASSADAS EM CURSO DE CULINÁRIA

DICAS QUE FORAM REPASSADAS EM CURSO  DE CULINÁRIA
     Anotadas por Orlando Lisboa de Almeida         20-07-2013

     Fiz um cursinho intensivo de Culinária Trivial no SENAC com o intuito de fazer uma parceria mais justa com a esposa, já que agora estou aposentado e tenho mais tempo em casa.  São vinte e uma horas de aula teóricas e práticas distribuídas na parte da manhã de sete dias úteis, com direito a almoçar com sobremesa o que acabou de ser feito em sala.   Bom também!
     As dicas gerais que consegui anotar da forma que entendi e ainda não testei mas com certeza vou testar tudo na primeira ocasião que ocorrer e será breve.
     1 – Feijão e o componente fitato.    O fitato é um componente do feijão que é considerado anti nutricional, pois teria dois efeitos negativos.   Causa gases intestinais e retem sais minerais que deixam então de serem aproveitados pelo organismo.    A dica para contornar isso é deixar o feijão um tempo de molho e jogar a água fora, pois com ela muito do fitato é eliminado.
     2 – Molho ao Sugo -   Ao fazer molho de tomate, uma das formas de reduzir a acidez do tomate é ralar uma cenoura (ralar para reduzir o tempo de cozimento desta) e misturar com os tomates.   Assim reduz a acidez do molho.
     3 – Soro do Creme de Leite.    O creme de leite de lata costuma ter um teor de soro.  O creme de caixinha longa vida em geral não dá para separar soro.    Então no caso do creme em lata, coloca-se a mesma na geladeira por um certo tempo e assim o soro fica fácil de separar.    Abre-se em seguida a lata, coloca-se uma colher numa lateral da mesma até o fundo e ao abrir um pequeno espaço, o soro aparece.   É virar a lata com jeito, apoiando o creme na colher e o soro é separado.
     4 – Quebrar os ovos -   Um cuidado é não quebrar já em cima da mistura em elaboração, pois se o ovo estiver estragado, poderia perder os outros ingredientes.   A orientadora quebra o ovo, com um dos dedos encosta na clara e puxa.   Se a clara está viscosa, o ovo é novo.   Se  o ovo está velho, a clara fica aguada e não se recomenda usar. 
     5 – Suco aberto em geladeira -   Ela tem etiquetas auto adesivas e costuma marcar a data de validade de cada produto já aberto e usado parcialmente  para depois guardar na geladeira.   Cada produto já tem no rótulo quanto tempo dura fechado e depois de aberto.    Achei uma solução prática e que todos podem adotar em casa até para segurança na alimentação.
     6 – Arroz integral -   É mais saudável porque contém na película externa um teor maior de proteínas, etc.    Mas demora mais para cozinhar e a dica é:   Lavar antes, deixar escorrer e secar um pouco e ao preparar, não “fritar” o arroz no tempero.   Frita-se o tempero, coloca-se um tanto de água quente, coloca-se então o arroz e ajusta o tanto de água.   Assim o arroz cozinha de forma adequada.  
     7 – Tampas de vidros com rosca -   é comum a pessoa ter dificuldade de abrir vidros com alimentos como azeitonas, palmito,etc.   Ocorre em parte porque o produto pode ter um vácuo interno que dificulta a abertura.    Há no mercado (só conheço um tipo – da Tramontina) um aparelho muito simples que tem algo como um aro com duas alças sendo que se prende a tampa e as alças fazem alavanca, facilitando a abertura.   Uma busca na internet ajuda, vendo o desenho do aparelho, cujo preço é módico.
        (toda rosca aperta no sentido horário e solta-se no sentido anti horário)
     8 – Batata inglesa ou batatinha -  A da casca rosada (Asterix) teria teor maior de amido e seria melhor tanto para batata frita como nhoque, etc.
     9 – Desenformar pudim -   O pudim comumente é feito numa forma que previamente recebeu uma camada de caramelo.     Se após pronto e frio o pudim estiver meio difícil de sair da forma, a instrutora recomendou (e adotou) o sistema de ligar a chama do gás, colocar as laterais do pudim para dar uma aquecida rápida e o caramelo amolece e o pudim fica mais fácil de sair da forma.
     10 – Derreter chocolate em barra para preparo de alguns pratos.     No microondas, corre-se o risco de passar do ponto e se queimar o chocolate, mesmo ligeiramente, este fica perdido.    Uma dica é aquecer bem um tanto de água e depois colocar em banho Maria o chocolate em uma vasilha sobre essa água quente.    O chocolate derrete sob sua supervisão e em segurança.      
     Espero que as dicas, que para muita gente pode ser coisa básica, mas para muitas pessoas podem ser de valor.    

     

sábado, 22 de junho de 2013

MÉDICOS CUBANOS E A CARÊNCIA DE MÉDICOS NO INTERIOR DO BRASIL

       Autor:    Eng.Agrônomo Orlando Lisboa de Almeida    (deste blog)    orlando_lisboa@terra.com.br

Vou dar uma modesta opinião a respeito de médicos de fora, inclusive de Cuba, serem incentivados para atuarem em lugares mais afastados dos grandes centros no Brasil. Tenho acompanhado um pouco o tema e lido alguns livros que dão um embasamento melhor. Questão de fontes. Pois bem. Sabemos que as prefeituras das pequenas cidades, inclusive do interior do Paraná, abrem concursos e não conseguem preencher as vagas de médicos que não aceitam o salário ofertado e alegam que não tem aparatos para exames, etc. E nossos médicos estão cuidando mais da Doença do que da Saúde do nosso povo. Cuidar da saúde envolve medidas preventivas, orientação, esclarecer a pessoa inclusive para evitar a doença. Mas não vou me alongar neste pormenor.
Lendo o livro A Ilha (Cuba) do nosso renomado jornalista e escritor Fernando Morais, percebi como aquele país evoluiu na área médica, inclusive com Medicina Preventiva. Eles são craques inclusive em vacinas. O Brasil compra vacinas deles há anos por questão de preço e qualidade.
Lendo o livro Chavez, Nuestro (em espanhol - não sei se tem edição em português), de autoria de dois jornalistas cubanos, também há abordagem sobre a medicina de Cuba e o apoio que os médicos cubanos tem dado a países com graves problemas sociais e na área médica. Apoio humanitário inclusive.
Há muitos médicos cubanos que aceitariam trabalhar no interior do Brasil, em lugares recusados pelos nossos médicos conterrâneos.
Vi uma campanha querendo desqualificar os médicos cubanos sem consultar alguma Fonte adequada. É como dizer que não leu um livro e não gostou. Assim fica difícil trocar idéias.
E para completar, alguns dizem que os médicos cubanos "poderiam" ser aceitos para um prazo de três anos, desde que passassem pelo Revalida que é uma prova para ver se estão aptos. Curiosamente o CRemesp - Conselho de Medicina de São Paulo fiz um provão para os médicos recem formados no Brasil (em São Paulo) e os voluntários que se sujeitaram ao provão, teve 54% de REPROVAÇÃO. Esses dados estão todos acessíveis e é só fazer uma busca básica no Santo Google e eu mesmo já citei por aqui, amarrando com a Fonte. Pois é! 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

TARIFA DE ÔNIBUS E PACTO SOCIAL PONTUAL

TARIFA DE ÔNIBUS E PACTO SOCIAL PONTUAL - Era muito comum no passado nós vermos aquele desenhinho dos burrinhos amarrados, cada um em uma ponta de uma corda e dois montinhos de feno numa distância entre si, maior que a corda dos burrinhos. No começo, cada um tenta chegar até o feno mas a corda é curta. Insistem e depois se juntam, "trocam idéias" e resolvem. Vão ambos para um mesmo montinho de feno, comem juntos e depois, sempre juntos, comem o outro feno. Seria o bom senso.
Pois bem. Não chegamos inventar a roda, muito pelo contrário, mas aqui no Paraná o pessoal adotou uma solução meio "Salomônica" para uma velha queda de braço entre os produtores de leite (em geral Agricultores Familiares) e a indústria do leite. Os produtores, em grande maioria, mas eram o elo fraco na queda de braço e sempre achava que a indústria ficava com a maior parte do lucro. Depois de muito confabular, com apoio dos Técnicos, chegaram a uma solução interessante. Conseguiram criar o Conseleite, um Conselho para gerir um pacto entre as partes. A UFPr Univ.Federal do Paraná, através da sua área de Agropecuária, foi chamada para criar uma Planilha de Custo que seria aceita pelos integrantes do Conseleite (pelo pacto). A planilha (as planilhas no caso) resultaram de estudos acadêmicos que levantaram o mercado do leite, os tipos de produtos feitos com o leite, a participação de cada produto no mercado, o custo dos produtos, o custo da matéria prima (o leite, etc) e assim se chegou a números que revelam Quem está lucrando e Quanto cada um está lucrando, tanto produzindo leite, como industrializando leite. Assim sendo, as partes então negociam o preço do produto leite entregue pelo produtor, já tendo como referencial a fatia de cada um nesse mercado.
O tal pacto do Conseleite eu chamo de pontual porque é um pacto focado no produto leite no âmbito do Paraná. Outros estados vieram conhecer o Conseleite e alguns países vizinhos, idem. Nos parece uma forma bastante razoável de encarar o mercado.
Quanto às tarifas de ônibus, quem sabe caberia as partes convocarem a Universidade para fazer um estudo técnico sério sobre a famosa Planilha de Custo em torno da qual se chega ao preço da passagem de ônibus. Sabendo quanto custa e quanto é cobrado, ficaria muito mais racional a discussão em torno das tais tarifas. Depois, é saber quem paga cada parte, se o Estado (via subsidio) ou se o custo e o lucro serão pagos pelos usuários. Eng.Agr. Orlando Lisboa de Almeida.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

RESENHA DO LIVRO: SABERES GLOBAIS, SABERES LOCAIS 12062013

          Autor da Resenha:   Eng.Agr.Orlando Lisboa de Almeida

Autores do livro:  Edgar Morin – participação do índio Marcos Terena
Editora:  Garamond  - Rio de Janeiro – Ano 2000  - 75 páginas
CDS/UNb   Centro de Desenvolvimento Sustentável da UNb.
Data da leitura:   31-01-13 a 01-02-13

     O livro na verdade reproduz uma Conferência realizada pela Universidade de Brasilia dentro do tema “Idéias Sustentáveis”.
     O Conferencista convidado, Edgar Morin é francês, octagenário, licenciado em História, Geografia e Direito.   Muito empenhado na teoria e na prática dos temas que envolvem o ser humano.
     O outro conferencista convidado foi o índio Marcos Terena, que é piloto de aeronaves, escritor, professor e conferencista.    A fala de ambos está expressa neste livro, assim como as perguntas e respostas na parte final das conferências.
     Um dos conselhos do índio Terena:   “Vocês não podem abandonar o espírito de vocês; o espírito é a maior força que o ser humano possui.  Se nós não fortalecermos o nosso espírito, seremos fracos.”    (página 63)
Página 65 – Terena, falando do índio no Brasil frente à pobreza, as injustiças e as questões ambientais.     “Porque a nossa oração é também para aqueles lugares onde as pessoas não tem o que comer, não tem o que beber, não tem casa para morar.  É por isso que, quando lutamos pela terra, é para proteger a vida.   A vida dos animais, das plantas e do ser humano”.
Voltando à página 17 -  Atualmente (ano 2000), temos que do ano de 1500 para cá no Brasil perdemos mais de 700 dos 1.000 povos indígenas, diz o Terena.   Povos que não existem mais, línguas e culturas que não existem mais.
     Atualmente há ao redor de 200 povos indígenas no Brasil, que falam 180 linguas diferentes.
     Página 56 – Morin e a inteligência artificial humana:    ...” penso que há um limite nesta porque:   qual é a originalidade da inteligência humana?   É a sua relação fundamental com a afetividade e com a emoção.”
     Página 59 – Morin, sobre o Ensino, sobre a Criatividade:
     “Ensino não é unicamente uma função, uma profissão como qualquer outra, onde se pode distribuir, produzir pedaços do saber: pedaços de geografia, de história, de química.   Enfim, Platão disse muito bem: “Para ensinar necessita-se de Eros, que significa amor, prazer e amor pelo conhecimento, amor pelas pessoas.  Se não há isso no ensino, na investigação, no conhecimento, nenhum resultado é interessante.”
     Página 53:   Morin, sobre a igualdade na diversidade:    “Pode-se falar de igualdade porque  a diversidade não significa uma visão hierárquica.   A diversidade é uma pluralidade de possibilidades.   Igualdade não significa igualdade entre os mesmos.  Igualdade pode ser entre pessoas, a igualdade humana dos direitos humanos vale para todas as culturas, para todas as línguas, para todas as raças...”

quarta-feira, 22 de maio de 2013

COMO EU ESTUDAVA PARA AS PROVAS ESCOLARES

     Eu estudei as três primeiras séries do ensino fundamental numa escola rural em Cerquilho-SP, minha terra natal.   O que havia de curioso na época é que em certas escolas rurais, onde as turmas eram pequenas, poderia haver turmas mistas, que foi o meu caso.   Numa mesma sala, simultaneamente, a professora dava aula para turmas da primeira à terceira série.    Parece complicado, mas a professora era habilidosa e todos aprendiam bem, inclusive adiantando um pouco conceitos da série acima.    Isto é para dar apenas uma breve introdução no tema.  
     No ginásio e no Colegial, vamos dizer que não tenho nada especial a destacar, já que o ensino numa cidade de periferia da Grande São Paulo não era um primor na época e ao que parece, ainda é carente.
    Vou então falar do meu sistema de estudo que deu bom resultado, foi no tempo de universidade.   Fiz Engenharia Agronômica na ESALQ-USP - Piracicaba-SP.    O curso era e ainda é no período integral e as aulas poderiam ser de até quatro horas de uma mesma disciplina, com um mesmo professor.   Disciplina como Física, Química, Biologia, Cálculos e outras, tinham um bom nível de complexidade.   
     1 - Regra número 1 que eu usava -   Assiduidade total às aulas, porque se perdesse uma aula de quatro horas com um professor altamente especializado, teria perdido uma oportunidade única de aprender o conteúdo de forma mais completa.
     2 - Regra 2 -  Anotar a essência do discurso do professor enquanto este explicava um conteúdo.   Um professor na universidade não fica colocando tudo no quadro negro.   Muita coisa é passada de forma oral e quem cochilou, perdeu conteúdo.     Para anotar a essência, precisava atenção e se desenvolvia a técnica de redigir de forma simples, sem palavras rebuscadas.  Era vapt vupt!
     3 - Regra 3 -  Se o tema era apresentado em apostila, nunca me contentava com essa fonte somente, pois uma apostila é um resumo de um tema.   Resumir apostila é fazer resumo do resumo e se perde muito conceito.     As apostilas costumavam ter no final uma Bibliografia.    Bibliografia, repito!    Sempre que podia, buscava em vários livros diferentes a explicação de um mesmo tema.   Vários pontos de vista e várias formas de expor a questão.    Facilitava o aprendizado.     Aprendizado para valer, para utilizar depois na vida profissional.
   4 - Regra 4 -  Esta era para alguma matéria mais "encardida" como Física com Termodinâmica e tudo o mais.      Eu conseguia o Programa de cada disciplina e sempre havia como saber qual o capítulo ou tema seria abordado na aula seguinte.    Pois a dica era dar uma estudada no tema antes da aula em si.   Notava que alguns que faziam isto (e eu adotava de vez em quando) chegava até a ter dúvida e conseguia formular perguntas ao professor.    Digo isso, porque aqueles que estavam boiando, nem perguntas conseguiam fazer no tema.    Quando alguém perguntava, a turma até dava uma olhada e ficava um pouco admirada de alguém está "acompanhando" o tema, mesmo que às custas de alguns tropeços.
     Vale lembrar que sempre fui um leitor assíduo e andei lendo algo na área de Inteligência Emocional, que explica que há pessoas com características específicas mais aguçadas para o aprendizado e os diferentes métodos.     Assim de cabeça, vale destacar um livrinho (diminutivo no número de páginas) do professor Celso Antunes, cuja obra seria A Inteligência Emocional na Construção de Um novo Ser.     Na primeira parte fica um discurso meio confuso para o jovem, mas logo em seguida quando ele aborda as várias formas de inteligência, esclarece muita coisa sobre nosso comportamento em geral e sobre o aprendizado em particular.      
     Para finalizar, espero que estas regrinhas que para mim foram muito úteis, possam ajudar uns e outros a melhorarem o desempenho nos estudos.   O estudo é uma forma segura de propiciar à pessoa uma melhoria de vida, tanto em termos econômicos, como em termos do crescimento pessoal como ser humano, de uma forma mais abrangente.     Abraço a todos e boa sorte!            orlando_lisboa@terra.com.br

                    No Facebook:    Orlando Lisboa de Almeida         23-05-2013

sábado, 11 de maio de 2013

DIALETO DE CERQUILHO - SP (E VIZINHANÇAS)


       

                                     foto acima in:  www.agroberto.com


            EU PINCHO,  VOCÊ BOLEIA, ELE BARDEIA

                    Engenheiro Agrônomo Orlando Lisboa de Almeida                maio/2003
                    (orlando_lisboa@terra.com.br)

     Uma suada graduação na USP, uma temporada de trabalho engravatado na Avenida Paulista em São Paulo, uma porção de anos de docência e um emprego público concursado por longa data longe da terrinha natal.   Nada disso tirou da gente o característico sotaque do Bairro Represa, zona rural do município de Cerquilho-SP.    Foram apenas dez anos na terrinha e toda uma vida entre a grande São Paulo e o interior do Paraná,  mas nada ofuscou o famoso sotaque que trago intacto e que é uma marca registrada entre os amigos que me conhecem ao telefone até pelo elementar alô.   
     Encaro o sotaque como parte de uma cultura que tem o seu valor, mesmo nestes dias em que muitos autênticos valores andam meio jogados para as traças.
     Um dia, comentando com um velho amigo, também colega de trabalho, que aprecia uma boa leitura e um bom bate papo, estava eu relembrando alguns termos típicos da minha terrinha e ele me recomendou um livro que tinha tudo a ver com nosso meio.   Digo nosso, porque o amigo João Francisco é paulista de Botucatu e também valoriza seu ninho.    Diz que sua terra serrana é a terra das moças da batata da perna roliça porque por lá, caminhar, é subir ou descer morro.    O físico fica em forma.
     O grande amigo JF como chamamos, recomendou que eu lesse algum livro do Francisco Marins, que retrata com muita qualidade e cores bem definidas, a vida no interior paulista com sua gente, sua política, sua economia, enfim, todo um modo de viver do interior de S.Paulo na primeira metade do século 20.    Li o livro “O Grotão do Café Amarelo” e fiquei encantado com o reencontro com muito da minha raiz e muito da raiz de tanta gente de uma vasta região.
     Tenho o hábito de, lendo por prazer, fazer algumas anotações daquilo que me chama mais a atenção.    Anoto primeiro a lápis e depois passo num caderno específico que se tornou já uma obra em três volumes, de muita estima e de um valor subjetivo enorme, ao menos para mim.    Claro que sempre citando a fonte, com todos os dados possíveis.
     Quem tiver a paciência de acompanhar alguns dos destaques que anotei e que são o supra sumo da raiz da minha terrinha, vai tomar conhecimento de um verdadeiro teste de origem.     Não conhecer quase nenhuma das expressões significa algo como ter pouco contato com gente do interior paulista.    Conhecer algumas expressões, seria algo como ter alguns amigos oriundos daquela terrinha.   Conhecer muitas das expressões locais, poderia ser sintoma de ter algum ancestral vindo de lá ou ter vivido algum tempo no interior paulista.      Conhecer a esmagadora maioria das expressões típicas é forte sintoma de ser um dos tais caipiras da sorocabana.

     Vamos às  palavras e expressões que achei que são a fina flor da terrinha:

     Tronqueira; a varanda especada; o estrepe no pé da Bidinha;
     Benzeduras; só havia ali um facultativo; é loucura se apinchar por aí;
     Sofria de amarelão;  sofria de espinhela caída; sofria de bucho virado;
     Taiuva; tuins; pintassilgo; sanhaço;
     Paçoca até que a gente come!   Gamelas; encangar duas juntas de bois;
     Abrir tora no traçador; girau;
     Guembês; hortelã; coentro; untanha; catre; gretas na parede;
     Untanha (no caso, apelido) tarraca no pé;  picuá;  borná; baixeiro; pelego;
     Roseta da espora; cafundó do Judas; peneira de taquara trançada;
     Polenta requentada na chapa do fogão de lenha  (do poiá);
     Capa de tropeiro; guaiaca; campear; cavalo marchador; cilhão;
     Porteira de varas; badana; o cavalo trocando orelhas; preá;
      Fulano bardeia alguma coisa; alimar; zagaia;  encastoar com embira;
     Cão bernento; cocão do carro de boi; fio (filho);
     Simpatia para fio macho: 
     dormir em cima do couro de onça curtido  para pegar coragem;
     Matar bugres e usar as terras;  quiçaças (uma das raras com dois ç);
     Ancorote (ou corote);  simpatia para desembuchar parto difícil:
     Carregar espingarda, dar um tiro pra cima, depois botar água no cano
     Da espingarda e em seguida dar a água pra mulher que está gorda;
     Mastro com os três santos: Antonio, João e Pedro; pau de sebo;
     Prenda; leilão; rojão de vara; buscapé;
     Bulir; capim gordura;
     Frase dos republicanos dos primórdios da nossa república:
     “Saúde e Fraternidade”
     Pinhão Paraguai;  porteira esconsa (ou esgonça);
     Azulão;  trempe do fogão; pito de barro (cachimbo);
     Caraguatá; gorda (grávida); sacos de aniagem;
     Carro de boi cantar; cabeçalho; canzil; cangas;
     Bolear; café Filipe; café incõe;
     Polainas; café crioulo; café bourbon;
     Pelego; badana; tala; rabo-de-tatu; açoiteira (suitera);
     Intendência; “com quantos paus se faz uma canoa”
     Tempo enfarruscado;  arrodear; eito; pestana (cílio);
     Grupo do bode preto; carrapatos-pólvora;  micuim;
     Homens xucros; cavalo xucro; cavalo redomão;
     Boi marruá; desenxabido; desinxavido;
     Tábuas gretadas; réstia de luz do sol;
     Tísicas; madeira lavrada; lanhar no relho;
     Mãe-de-leite; se fiar; dar uma coça; curiangos;
     Daninhar (criança daninha); picumã; bodoque; arapuca;
     Covo; pilão; cuipé; monjolo; guatambu;
     Suã de porco; tigüera; pau piúca; cacunda; jururu;
     Espeque; tramela; encasquetar; cutelo; roupa puída;
     Encafifada; tapera; a muque;
     atropelaram  (mandaram embora);
     Bule de café; sem eira nem beira;  gordura rançosa;
     Banha na lata; lingüiça no varal em cima do fogão;
     Sujeito de tutano;  puxou o pai;  borralho;
     Encasquetar; parelho (roupa);  enfaixar o nenê;
     Bulha; boi cor araçá; “luto fechado”;
     Arreliar; investir;  “que dê o toicinho daqui? “
     Negacear; cafezal de face boa do terreno;
     Ditado:  “que vão os anéis e que fiquem os dedos”
     Não arredar pé da palavra de homem;
     O fio de bigode; plantar mantimentos;
     Camaradas; sino; cerne; caieira;
     Caieirinha na cova do café novo;
     Filhote de passarinho novinho, olhos fechados;
     Virado de frango para viagem;  matula;
     Ditado:  “o café dá a casaca, mas também pode tirar
      até a camisa”
     S.Paulo com 300.000 habitantes; Santos com peste bubônica;
     Casimira;  o patrão prefere perder tudo do que se socorrer
     com os parentes da esposa;
      Rebotalho;  Índios Coroados; bordoadas;
     Tachos de cobre; assistir na casa de parentes;
     Embiras; cochar; estourar bambu na fogueira;
     Cavalo rosilho; sol de estorricar; sol de rachar mamona;
     Capado na ceva;  escuito; escuitar; gabar; gavar; jacá; balaio;
     Bardear; petrechos; cólera-morbo; arrodeia; ringindo;
     Ringindo os tamoeiros (vô Luiz);
     Saracoteios; coreto; cateretê; juá bravo; procissão; andores;
     Rescender; quá o quê!; judiação; cusarruim; aparelho de bolso;
    Binga; isqueiro; cavadeira; feijão mulatinho; cainhou;
     Fumo de corda; espingarda pica-pau; escorva;
     Estrumar; cambuiada; garrucha; presilha do lenço de boiadeiro;
     (cita uma presilha entalhada em chifre, com forma de cabeça de boi);
     maiar feijão; decoada para sabão de cinza; boticário;
     Já era escaldado; parelha de burros; coaieira; ajustar conta;
     Não  mover uma palha...; bulir; cambetear.

     Quando houver tempo e conseguir localizar, devo ler do mesmo autor:
     “... E a porteira Fechou” e  “Clarão na Serra”
    ( Francisco Marins é de Pratânia-SP e publicou vasta obra, mais de
     2 milhões de exemplares vendidos; traduzido para espanhol;
     inglês; húngaro; afrikander).