CAR - CADASTRO AMBIENTAL RURAL - Curitiba, maio de 2015
Todo Produtor Rural pequeno, médio ou grande, tem que fazer o CAR da sua propriedade para ficar atualizado com a lei do novo Código Florestal.
O CAR é feito com uso de computador e internet e requer alguns detalhes de mapeamento e pontos de coordenadas geográficas obtidas com GPS.
O prazo para os produtores cadastrarem suas propriedades no CAR (isso é feito uma só vez) começou em maio do ano passado (2014) e terminaria o prazo em maio de 2015, mas foi PRORROGADO o prazo por mais um ano e então o prazo vai até MAIO-2016.
Sou Engenheiro Agrônomo, 64 anos, registro no CREA 57.589-SP, com visto do Paraná, resido em Curitiba-PR e estou habilitado inclusive com Treinamento específico sobre o CAR realizado recentemente através do SENAR - Serviço Nacional de Ap. Rural - vinculado à FAEP - Federação da Agricultura do Estado do Paraná.
O CAR é obrigatório, mas acima de tudo é um direito, uma conquista do produtor, pois a lei anterior do Código Florestal era bem mais exigente e o produtor cadastrando sua propriedade no CAR terá menor exigência na forma da lei atual inclusive sobre a quantidade de área da Reserva Legal e Preservação Permanente. Não perca tempo e providencie logo o CAR para ficar dentro do que exige a lei atual.
Na dúvida, sugiro inclusive entrar no site da FAEP www.faep.com.br e conferir lá a Recomendação da mesma a todos os produtores rurais.
Contato: Eng.Agrônomo ORLANDO LISBOA DE ALMEIDA - CREA. 57.589-D - SP
Com visto do Paraná. (41) 9917.2552 (Tim) - (41) 35275317 (residencial) e (41) 30.95.72.00 (Empresa Terra Firme - Bairro Água Verde - Curitiba- PR)
orlando_lisboa@terra.com.br
sexta-feira, 29 de maio de 2015
domingo, 5 de abril de 2015
RESENHA DE COMENTÁRIO DE FILME SOBRE AS ÁGUAS - NOVO CÓDIGO FLORESTAL
RESENHA DE COMENTÁRIO DE
FILME SOBRE AS ÁGUAS
Filme de Fernando Meirelles
apresentado no auditório da ALEP Assembléia Legislativa do Paraná no dia
24-03-2015 por ocasião da comemoração do Dia da Água -
Anotações feitas pelo Eng.Agrônomo Orlando Lisboa de Almeida
O convite partiu do Deputado
Eng.Agrônomo Rasca Rodrigues.
Antes da apresentação do
filme (1 h e 16 minutos), foi formada a mesa das autoridades com a presença de
representante do Ministério Público, da UFPr, de Ongs do Setor. No plenário, bastante pessoas ligadas ao
tema, inclusive dois professores com grupos de alunos de Fazenda Rio Grande-PR,
município da região Metropolitana de Curitiba.
Foi dito pelo representante do Ministério
Público estadual que infelizmente tratamos dos temas em momentos de crise, como
o caso da crise da água no momento e assim por diante. Melhor que nada.
A mesa citou uma porção de cidades do
Paraná que estão sob rodízio de abastecimento de Água, inclusive Apucarana.
Fala do Sr.Marcel, representante da Sanepar no
evento.
Foi falado de passagem sobre o CAR
Cadastro Ambiental Rural a ser feito pelos produtores rurais por força do novo
Código Ambiental aprovada há pouco tempo no Congresso. Substituiu o Código de 1965. CAR – para o produtor que tem até 4
módulos fiscais no tamanho de suas propriedades, o CAR será feito de graça pelo
pessoal do governo do estado. Acima de
4 módulos, o produtor arcará com as despesas. Há prazo para se apresentar o CAR e se o
agricultor deixar expirar o prazo haverá sanções.
No filme, que é um documentário bem
elaborado, há vários depoimentos de autoridades. Na fala do Deputado Federal Ivan Valente,
ele citou que só ano ano de 1998, quando estava havendo discussões para a
mudança na lei ambiental, o estado de Rondônia, em apenas 1 ano, desmatou 9% de
todas as florestas do estado. Um
absurdo.
Um pesquisador lembrou que a agropecuária
quando danifica o meio ambiente, prejudica inclusive os insetos polinizadores
que são de extrema utilidade na própria agricultura. O caso das abelhas como polinizadoras, que
aumentam a produção das lavouras.
Reservas de matas na propriedade equilibram melhor o ambiente e são rentáveis
inclusive.
Dito que até a parte central da Argentina
recebe reflexos da Mata Amazônica em termos de ciclo hidrológico.
O BR usa ao redor de 270 milhões de há para
agropecuária, sendo 60 para agricultura e 210 para pecuária. Pecuária de baixa produtividade das
pastagens, com menos que um bovino por hectare. Temos tecnologia para tranquilamente
aumentar em muito essa produtividade das pastagens, mas bastaria aumentar de 1
para 1,5 bovinos em média por há e liberaríamos mais área para a agricultura do
que toda a área hoje destinada a essa finalidade. Ou seja, podemos melhorar as pastagens,
liberar uma imensidão de terras para agricultura, expandindo a produção sem
precisar derrubar nada de mata.
Um dos pesquisadores que falou bastante no
tema foi o professor Raul do Valle.
Também falou a pesquisadora Yara Novelli.
Propriedades menores que 4 módulos, em
termos de manter a reserva florestal, teriam que “congelar” o tanto que tinham
em 2008. Se de lá para cá, diminuiu a
área de floresta, tem que repor o que diminuiu.
No BR temos atualmente 156 espécies de
aves ameaçadas de extinção, o que indica que o ambiente está sendo maltratado.
A pesquisadora Yara disse que no novo
Código Florestal, piorou a condição de uso dos mangues. Segundo ela disse, pela lei atual, pode ser
erradicado até 35% do mangue no Nordeste, Sudeste e Sul do BR para projetos de
criação em cativeiro de espécies como camarões. Ela disse que isso é absurdo porque além do
dano ambiental, cada 1 há de tanque gera ao redor de 1 emprego e por outro
lado, cada 1 há de tanque pelo dano ambiental que traz, desemprega em média 4
trabalhadores que catam caranguejos e outros produtos do mangue. Ela diz que é uma Reforma Agrária ao
Contrário. Isto sem contar que 70% dos
peixes comerciais capturados na costa da região dependem do mangue em seu ciclo
vital. Dano ao mangue afeta essa pesca.
Foi dito que a Hidrelétrica de Itaipu
gera 19% da energia elétrica produzida no BR na atualidade.
O
Novo Código Florestal em muitos aspectos estaria contrariando o artigo 235 da
nossa Constituição que diz que todos temos direito a um ambiente equilibrado.
O deputado Ivan Valente disse que caberia
uma ADIN que questiona no Congresso a falta de respeito à Constituição, de
certas leis como a do Código Florestal atual.
Foi citado no filme o livro O Crepúsculo, que trata de danos ao meio ambiente e suas
consequências. É de autor estrangeiro.
Foi dito que no Paraná, se perde 34% da
água entre a captação e a distribuição final.
Muito elevada a perda.
Um professor da UFPr (Nivaldo Rizzi ?) falando
sobre o tema, disse que aqui no PR a gestão da água segue modelo privado e o
objetivo maior é a busca do lucro. Que
no ano passado (2014) a Sanepar repassou 400 milhões de reais de lucro aos
acionistas. Dito que aqui na região
Metropolitana de Curitiba temos o Aquífero Guabirotuba e que o mesmo é
utilizado para abastecer boa parte desta região.
Foi dito que há uma tese de doutorado de
um Pesquisador da Embrapa Florestas sobre a conservação da bacia do Rio
Iguaçu.
A Sanepar cuida da água e esgoto de 344
dos 399 municípios do PR.
Bioma Mata Atlântica – abrange grande
parte da região adjacente ao litoral de grande parte do Brasil. No caso do Paraná, todo o estado está dentro
desse bioma. 70% dos brasileiros moram em áreas desse Bioma Mata Atlântica.
Atualmente só sobrou 7% das matas nesse
bioma Mata Atlântica, ainda porque há serras que não deu para mecanizarem ao
longo do tempo.
Na discussão, foi dito por um professor
que no BR desde 1997 era para cada município ter um Plano Municipal de Recursos
Hídricos. Quase todos estão em débito
com esse compromisso vital.
Notar bem: O evento é da maior relevância pois água é
do interesse de todos. Só havia 1
deputado estadual presente no evento que foi feito justamente lá na Assembléia
Legislativa. Temos que lutar muito!
O lixo de Curitiba vai para um aterro no
vizinho município de Fazenda Rio Grande.
Diz que fica perto do antigo aterro da Caximba.
Um professor presente disse que o IAP
Instituto Ambiental do Paraná é um homologador das devastações de florestas no
PR.
Fala do Erivelto, geólogo da Sanepar.
Foi dada a notícia no evento que nas
vésperas do dia da água, o governador aprovou por decreto, na surdina, uma nova
norma para uso da água, etc. Foi
tentado tramitar pela Assembléia algo sobre o tema mas a sociedade civil de
mobilizou e, diante do risco que a nova lei teria em termos ambientais, o
governo tirou o assunto da pauta da Assembléia. Agora, veio da noite para o dia, por
decreto. (publicado em 17-03-15)
O projeto Cultivando Água Boa, de
iniciativa da Itaipu foi premiado pela ONU recentemente. Foi lembrado que o mesmo nasceu de uma
iniciativa na chamada Bacia do Rio do Campo pela Sanepar há 25 anos.
Isto foi o que consegui anotar das falas
das autoridades, do plenário e do filme que é um documentário de ótima
qualidade que deu voz a muitos pesquisadores que tem profundidade no tema.
segunda-feira, 30 de março de 2015
MEMORIA DE UM JOVEM NO TEMPO DA DITADURA MILITAR (final) 30-03-15
Por – Eng.Agrônomo Orlando Lisboa de
Almeida
III – TEMPOS DO CURSINHO PRÉ VESTIBULAR –
NO MED RUA AUGUSTA
Fiz o Cursinho pré vestibular em 1972 em
São Paulo no período noturno. Tempo
puxado, sem tempo para sair do trabalho como bancário em Mauá-SP e embarcar
direto para São Paulo. Banco até 18 h e
o trem partia 18:32 rumo à estação da Luz, onde eu pegava um ônibus no rumo da
Consolação, perto da Augusta. O foco
era vencer a etapa e ingressar na universidade e o desafio era passar na USP –
na ESALQ Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba-SP e uma
das razões de ordem prática era que eu não poderia estudar em período integral
em outro lugar por falta de recursos.
Tinha que ser em Piracicaba, onde residia e reside minha irmã casada que
deu o apoio logístico para eu vencer essa batalha. E assim foi.
Nesse ano era foco total no trabalho de
bancário e no cursinho à noite e assim foi feito. No vestibular, consegui passar na ESALQ-USP
que era meu sonho e em março de 1973 estava eu lá me matriculando para o curso
que na época era de quatro anos em regime integral. Agora, com o curso e estágio, são cinco
anos. Curso de Engenharia Agronômica.
IV – O TEMPO DE UNIVERSIDADE (1973-1976)
A ESALQ foi fundada em 1901 e em 1934
quando a USP foi fundada, a ESALQ passou a integrar aquela universidade. Minha turma, de 1976 foi a do Jubileu de
Diamante, nos 75 anos do Campus de Piracicaba.
Na ESALQ os cursos eram em período
integral e a mesma era dotada de marcante tradição de luta dos estudantes. A repressão do regime militar rondava por lá
de forma dissimulada. Tive inclusive em
parte do curso um colega de turma que passou uma temporada fazendo o curso e
tendo surgido do nada, desapareceu do nada sem deixar notícia. Suspeitou-se que o mesmo era olheiro da
repressão.
Fui do CALQ, o Centro Acadêmico Luiz de
Queiroz, mas na diretoria ocupei por breve tempo a modesta diretoria de
patrimônio, a que não se envolvia de forma direta na agitação estudantil. Os líderes eram de classe média alta para
cima e tinham mais respaldo econômico da família para eventual crepe perpetrado
pela repressão. Eu, filho de operário,
não tinha esse cacife e ia até onde podia chegar na luta estudantil, mas
acompanhei a moçada dentro do possível.
O líder mais destacado da minha turma era o José Maria Jardim da
Silveira, que fez carreira brilhante na
Academia, sendo professor na UNICAMP no topo da carreira, sempre na área
de Humanidades. O hobby dele até hoje é
a montain bike.
Nos tempos da repressão um dos poucos
modos que nós estudantes tínhamos de tentar nos contrapor aos desmandos da
Ditadura era fazer recortes de jornais que traziam algum texto mais
esclarecedor e fixar o artigo no mural do RU Restaurante Universitário para
toda a galera ler.
Outra forma de reação que foi criada em
Piracicaba, que sempre foi inclusive uma grande cidade universitária, foi a
criação do Salão do Humor de Piracicaba em 1973, no ano que comecei o curso na cidade. Os grandes cartunistas do Brasil em geral e
de São Paulo e RJ em particular (a turma do Pasquim e muito mais)
participaram. Foi um sucesso
marcante. O cartum era sempre, na
época, um grito de protesto contra a Ditadura, com engajamento, humor e arte.
Na atualidade o Salão de Humor de
Piracicaba é uma referência no setor e tem abrangência internacional, o que já
vem de longa data, por sinal.
Na MPB na época faziam sucesso no meio
estudantil e no meio artístico em geral músicos “engajados” na luta contra a
repressão como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré e
outros. Canções memoráveis. Conseguiam jogar um facho de luz na
obscuridade dos tempos de chumbo da Ditadura, dando algum alento e voz à
juventude rebelde, que lutava por democracia.
Me formei em 1976 e em 1977 entrei no mercado de trabalho como Engenheiro
Agrônomo em Umuarama-PR, distante 820 km da minha Mauá-SP, trabalhando como
assessor técnico no Banco Mercantil de São Paulo, onde permaneci três anos e
depois fui para Londrina pela mesma empresa por mais um ano. Houve então um concurso específico da minha
área no Banco do Brasil em 1980 e eu fui aprovado e então foram 32 anos de
BB. Em resumo, mesmo depois de formado
em 1976, ainda a Ditadura estava vigente no Brasil e causou grandes danos a uma
geração que viveu a mesma e tem seus desdobramentos em gerações seguintes que
tem que reaprender a participar mais da vida em sociedade, buscando agir com
cidadania por um País melhor. Lutei e
luto por isso e acredito no Brasil e busco, com as modestas armas que tenho,
dessa empreitada. É ter prioridade na
busca do bem comum e participar de todos eventos possíveis onde o bem comum
estiver em pauta. É de suar a camisa mas
vale a pena. Assim os filhos e netos
não poderão, jamais, nos chamar de omissos.
(Ongueiro desde sempre)
orlando_lisboa@terra.com.br
domingo, 29 de março de 2015
MEMORIA DE UM JOVEM NOS ANOS 60 – TEMPO DA DITADURA
Autor:
Eng.Agr. Orlando Lisboa de Almeida -
Mauá- SP
I – FASE PRÉ DITADURA
Meu nome é Orlando Lisboa de Almeida, 64,
nascido aos 06-08-1950 na fazenda Vitória, Bairro Represa, zona rural do
município de Cerquilho-SP. Digo isso
para esclarecer um pouco do que levou minha família a migrar posteriormente
(1961) para Mauá-SP.
Meus pais eram empregados de uma grande
fazenda de criação de gado e na época a família tinha seis filhos, sendo que a
sétima, a caçula, já nasceu em Mauá, após a migração.
No final da década de 50, início da de 60,
o Brasil passava por um momento de crescimento da luta pela Reforma Agrária e
quando João Goulart assumiu a presidência da república, cresceu a expectativa
do povo. Os setores conservadores
fizeram intensa campanha contra o comunismo e contra a luta dos trabalhadores
pela Reforma Agrária. Entre outros
boatos, espalharam que os empregados das fazendas iam se tornar donos das
terras e os patrões iam ficar sem nada.
Além de outros fatores, isto contribuiu para se quebrar o elo de
confiança entre empregados e patrões, criando um clima de estranhamento de
parte a parte. Sem aprofundar no tema,
fiquemos nisto por aqui.
Meus pais, que já trabalhavam há 25 anos
na mesma fazenda, até por falta de perspectivas de estudar os filhos, já tinham
vontade de migrar para a cidade e o local seria Mauá-SP não por acaso. Lá já viviam parentes da parte do meu pai e
da minha mãe, estes que já tinham se empregado nas indústrias com carteira
assinada, conseguiram comprar seus lotes de terra e construíram por etapas e
sacrifício, suas casas de moradia.
Eram vencedores na nova etapa, como migrantes. No caso dos meus pais, somaram-se a falta
de perspectiva de estudo na zona rural, mais a instabilidade no campo com o
estranhamento trazido pela cogitação da Reforma Agrária de um lado e de outro,
a perspectiva de migração para onde os parentes já tinham mudado e “vencido” na
nova morada, saindo do campo e indo para Mauá-SP, viver na cidade. Em outubro de 1961 minha família chegou
migrante a Mauá-SP, mais precisamente na Vila Bocaina.
A instabilidade criada no campo foi um dos
fatores que “justificaram” a ação dos que perpetraram a Ditadura Cívico Militar
em 1964.
II – FASE DA DITADURA EM SI
Em 64 eu tinha 14 anos de idade quando
ocorreu o Golpe. Mauá-SP nesse tempo
teria menos de 40 mil habitantes, sendo uma cidade proletária, onde a rotina
era levantar cedo, tomar condução para ir ao trabalho, muitas vezes o ônibus
urbano até a estação do trem e depois este no rumo de São Paulo. Sair cedinho e voltar tardão, com corrida
da marmita e tudo na saída do trem, na volta para casa, correndo da estação até
o ponto de ônibus para conseguir ao menos embarcar. Dia após dia.
Em 1964 ter telefone em casa era raridade
e nós não tínhamos, apesar de quatro da casa já trabalharem em fábrica. Televisão era televizinho. Pouca gente tinha e quem tinha na vizinhança
sempre tinha visita para poder ver alguma coisa pela TV à noite.
Notícias mesmo, bem ou mal, eram mais pelo
rádio, já que jornal não era muito usual o trabalhador comprar por falta de
hábito, de poder aquisitivo e falta de tempo.
Por várias razões, só aos quinze anos eu,
após passar no Exame de Admissão, entrei no ginásio no Viscondão que ainda
ficava junto à famosa paineira da Avenida Barão de Mauá. Nesse tempo tinha um “Vestibulinho” para entrar
no ginásio e me parece que o único ginásio de Mauá era o Viscondão (em 1965)
No meu tempo de ginásio ouvíamos falar e
líamos alguma coisa ou mesmo ouvíamos pelo rádio algo sobre a repressão
militar, mas a rotina era sem informação sobre isso. Era um
tempo obscuro e se alguém percebia que havia algo muito errado, não se atrevia
a procurar mais detalhes, por temer riscos.
Lá pelo início do curso Colegial (segundo
grau) fomos da primeira turma no Viscondão, do curso com as mudanças impostas pelo
Regime Militar. Tempos do convênio
MEC/USAID sendo o USAID uma agência de “cooperação”
do governo norte americano nessa área.
Incutir o medo do fantasma do comunismo e outras coisinhas mais na
cabeça do povo. Tempos das aulas de
Educação Moral e Cívica para os alunos se enquadrarem no padrão do governo
militar.
Suponho que os professores da época
(Moacir Parisi, Geraldo Cavalcanti, dona Elva, Florencio Blanco e outros)
tinham alguma noção do que se passava, mas a “moda” era bico calado para o que
fazia o regime. Os jornais, mesmo com a
presença dos censores do regime, deixavam escapar algumas notícias de crítica
ao regime militar. Mas a marcação era
cerrada e jornalistas às vezes eram punidos e Vladimir Herzog foi um dos que
pagou com a vida, sendo “suicidado” na prisão.
AMIGOS DE MAUÁ – SP
A maioria dos meus amigos na época era
composta de colegas de colégio do Viscondão.
Alguns colegas de classe eram mais novos que eu e vários outros eram
mais velhos e dentre estes, uns raros mais politizados e que viam um pouco mais
do que estava acontecendo, pois eram tempos de greves, com destaque para os
metalúrgicos do ABC, muitos deles trabalhadores das montadoras de
automóveis. Nós estudávamos à noite,
desde o ginásio e a grande maioria dos colegas já trabalhava e eu estava entre
os mesmos.
Meu pai trabalhava como zelador no período
noturno na Porcelana Mauá. Ele quase não
tinha estudo e acompanhando os demais empregados, foi um dos que doou o
equivalente a um dia de trabalho descontado na folha de pagamento para a
campanha governamental chamada Dei Ouro para o Bem do Brasil. Como contrapartida ele ganhou como os demais,
um anelzinho de bronze ou latão dourado com os dizeres da campanha. Meus pais também participaram como alunos
do curso de alfabetização de adulto lançado pelo regime militar. Era tempo do MOBRAL Movimento Brasileiro de
Alfabetização. No caso dos meus pais,
eles já tinham alguma instrução e até liam e escreviam, mas completaram o
primeiro grau no Mobral.
Tempos de ler livros do Grêmio Monteiro
Lobato, a biblioteca do Seo Dito, ali no centro de Mauá, perto da Calçados
Bozelli. No Grêmio era o ponto de encontro dos
intelectuais jovens e outros nem tanto, da cidade. Alguns ativistas políticos enrustidos pelo
meio. Nesse tempo (1968-72) conheci os
irmãos Olavo e Castelo Hansem, que frequentavam o Bar do Yugo, ao lado do
cinema novo, o Cymaflor. O Olavo, mais
franzino e de rosto fino. Não era
estudante na época e se dizia gráfico na região. Conversávamos com ele e seu irmão um pouco de
tudo, com uma pitada de política no meio, mas de forma despretensiosa. O irmão dele, o Castelo, na época era mais
encorpado e de óculos fundo de garrafa.
Ambos eram bem informados, liam jornais e livros, argumentavam muito bem
e o Castelo é um poeta desde aquela época, considerado por mim, digamos assim,
um Maiakovski – poeta operário – de Mauá dos anos 60-70. Eles não davam bandeira, mas eram militantes
de partido comunista, não me lembro a denominação e nem na época eu sabia. Pagaram alto preço pelo idealismo e luta.
Tão alto, que mais tarde o Olavo Hansem
foi “desaparecido” pelo regime militar (pela repressão ligada ao regime) e só
reapareceu muitos anos depois como uma das ossadas encontradas numa vala comum
num local sem identificação no Cemitério do Bairro de Perus. Hoje, merecidamente, o Olavo Hansem tem o
seu nome perpetuado num colégio de Mauá. (continua....) Tempo de Cursinho no MED na rua Augusta
e Universidade em Piracicaba – ESALQ-USP.....
sábado, 21 de março de 2015
DR LEONIR BATISTI - DE PROFESSOR DA FADU A DIRIGENTE DO GAECO
GAECO - (Grupo de Ação Especial de Combate ao Crime Organizado)
Residi em Umuarama- PR de 77 a 93, exercendo a profissão de Engenheiro Agrônomo (Mercantil de SP e Banco do Brasil na sequência), época em que, paralelamente, fui professor da FACEU que hoje integra a UNIPAR. Onze anos de FACEU, onde muitas turmas de acadêmicos conviveram conosco, assim como muitos professores e funcionários. Nesse tempo, havia os grupamentos de professores da FAFIU - Filosofia, etc., da FACEU - Adm., Economia e Contábeis e a FADU, de Direito. Mas a sala dos professores era a mesma e lá todo mundo se enturmava numa boa, mesmo a turma da FADU usando o famoso terno, que é traje cotidiano de muitos advogados, promotores, juizes. Me fez lembrar até do famoso Dr.Toshiharu Yokomizo, juiz da Vara da Família. Ele é uma pessoa muito comunicativa e irreverente. Um dia, numa rodinha de prosa na sala dos professores, ele disse. Já que dizem sobre os japas que tudo é pequenininho, então eu sou Juiz da Vareta, pois a Vara de Familia de fato tem uma estrutura pequena, mas funcional.
Voltando ao assunto da pauta, o professor Dr.Leonir Batisti que na época ocupava em Umuarama um cargo na Justiça e à noite ajudava a formar novos advogados na FADU. Bom saber que ele continua firme e forte, atuando com rigor no comando do GAECO que vem dando um perereco em quem quer viver à margem da lei. O grupo tem conseguido como nunca pegar pelo colarinho muitos colarinhos brancos por aí e isso é do que precisamos para voltar a acreditar que nosso País tem jeito. Ele merece o nosso respeito e consideração.
Residi em Umuarama- PR de 77 a 93, exercendo a profissão de Engenheiro Agrônomo (Mercantil de SP e Banco do Brasil na sequência), época em que, paralelamente, fui professor da FACEU que hoje integra a UNIPAR. Onze anos de FACEU, onde muitas turmas de acadêmicos conviveram conosco, assim como muitos professores e funcionários. Nesse tempo, havia os grupamentos de professores da FAFIU - Filosofia, etc., da FACEU - Adm., Economia e Contábeis e a FADU, de Direito. Mas a sala dos professores era a mesma e lá todo mundo se enturmava numa boa, mesmo a turma da FADU usando o famoso terno, que é traje cotidiano de muitos advogados, promotores, juizes. Me fez lembrar até do famoso Dr.Toshiharu Yokomizo, juiz da Vara da Família. Ele é uma pessoa muito comunicativa e irreverente. Um dia, numa rodinha de prosa na sala dos professores, ele disse. Já que dizem sobre os japas que tudo é pequenininho, então eu sou Juiz da Vareta, pois a Vara de Familia de fato tem uma estrutura pequena, mas funcional.
Voltando ao assunto da pauta, o professor Dr.Leonir Batisti que na época ocupava em Umuarama um cargo na Justiça e à noite ajudava a formar novos advogados na FADU. Bom saber que ele continua firme e forte, atuando com rigor no comando do GAECO que vem dando um perereco em quem quer viver à margem da lei. O grupo tem conseguido como nunca pegar pelo colarinho muitos colarinhos brancos por aí e isso é do que precisamos para voltar a acreditar que nosso País tem jeito. Ele merece o nosso respeito e consideração.
O DIREITO DE MANIFESTAÇÃO HOJE E "ONTEM" 20-03-2015
foto do presidio do Ahu em Curitiba - PR
Para reflexão. Eu andei participando de N reuniões da Comissão da Verdade em Curitiba-PR, na qual vinham dar testemunho as pessoas que sofreram com a repressão do tempo da Ditadura Militar. Uma professora universitária aposentada de Curitiba (Judite Maria Barboza Trindade) que foi presa no Presidio do Ahu daqui de Curitiba, num presidio praticamente só de detentos do sexo masculino. Ficaram presas ela e mais outra estudante da época. O "crime" dela: Ela era universitária e fazia política estudantil e cobrava cidadania e democracia nas ações do governo. Faziam manifestações em Curitiba, reuniões escondidas da repressão policial, congressos de estudantes. Foram presas por "agitação" porque estavam panfletando nas ruas, sendo que os panfletos continham os argumentos e reivindicações dos estudantes e dos cidadãos. E como "agravante", os estudantes foram presos por "portarem armas brancas e contundentes". As tais armas brancas e contundentes eram o seguinte: Na Chácara onde iam fazer um congresso de estudantes na clandestinidade (tudo na Ditadura era proibido) haveria um churrasco e havia Espetos e Facas de cozinha para preparo da carne. Essas eram as armas brancas. Mais de um ano de prisão. Isto é apenas um depoimento de uma afetada pela Ditadura Militar.
sexta-feira, 13 de março de 2015
SOBRE PALESTRA - ECONOMIA BRASILEIRA E DADOS DA AMERICANA
DOLAR ALTO E ALGUNS DESDOBRAMENTOS - 13-03-2015
Hoje estive na parte da tarde participando de um seminário com um Economista com Doutorado no ramo, Dr.Marcio Pockmann professor da UNICAMP. Ele estava explicando sobre o dolar alto e segundo o que pude captar, há tendência do dolar subir algo mais ainda no curto e médio prazo. Há fatores internos para isso e também algo pela evolução da economia americana. Na avaliação feita, o dolar alto no nosso mercado torna nossas importações mais caras e isso incentiva a nossa indústria a voltar a produzir e vender no mercado interno. O que vinha ocorrendo com o real valorizado (dolar menos alto) era a nossa indústria deixar de fabricar certos produtos e passando a importar da China para revender por aqui, com mais lucro. Era o que os economistas chamam de "desindustrialização". Resumo da ópera: Dentro dessa linha de interpretação, o dolar alto traz (apesar de efeitos colaterais) o reforço nos empregos nas nossas indústrias, melhora o faturamento das nossas exportações e inibe o turismo no exterior, o que fará com que menos pessoas vão gastar lá fora em dolar e faça turismo aqui no Brasil, gerando empregos.
ECONOMIA AMERICANA - Citação na palestra do Economista professor da Unicamp - Marcio Pochmann. De 2009 a 2014 cresceu no total 13%. Por outro lado, o preço das ações por lá cresceu no período bem mais de 100%, mas a massa salarial caiu de valor no período considerado. O índice de desemprego deu uma melhorada lá, mas a massa salarial caiu.
PARA COMPLETAR A JORNADA DE HOJE SOBRE A PALESTRA COM O PROFESSOR DA UNICAMP.
Sobre o BR fazer superávit para pagar dívida externa. Citou dados de um certo lapso de tempo para mostrar os diferentes números. Disse que antes do governo FHC, estávamos destinando ao pagamento da dívida externa ao redor de 1,8% do PIB. No tempo do FHC, chegamos a gastar 12% do PIB para pagamento da dívida; no governo Lula, foi ao redor de 6% do PIB segundo citou. Lembrou que 6% do PIB é um valor bem alto, com sacrifício, mas já foi o dobro.
Hoje estive na parte da tarde participando de um seminário com um Economista com Doutorado no ramo, Dr.Marcio Pockmann professor da UNICAMP. Ele estava explicando sobre o dolar alto e segundo o que pude captar, há tendência do dolar subir algo mais ainda no curto e médio prazo. Há fatores internos para isso e também algo pela evolução da economia americana. Na avaliação feita, o dolar alto no nosso mercado torna nossas importações mais caras e isso incentiva a nossa indústria a voltar a produzir e vender no mercado interno. O que vinha ocorrendo com o real valorizado (dolar menos alto) era a nossa indústria deixar de fabricar certos produtos e passando a importar da China para revender por aqui, com mais lucro. Era o que os economistas chamam de "desindustrialização". Resumo da ópera: Dentro dessa linha de interpretação, o dolar alto traz (apesar de efeitos colaterais) o reforço nos empregos nas nossas indústrias, melhora o faturamento das nossas exportações e inibe o turismo no exterior, o que fará com que menos pessoas vão gastar lá fora em dolar e faça turismo aqui no Brasil, gerando empregos.
ECONOMIA AMERICANA - Citação na palestra do Economista professor da Unicamp - Marcio Pochmann. De 2009 a 2014 cresceu no total 13%. Por outro lado, o preço das ações por lá cresceu no período bem mais de 100%, mas a massa salarial caiu de valor no período considerado. O índice de desemprego deu uma melhorada lá, mas a massa salarial caiu.
PARA COMPLETAR A JORNADA DE HOJE SOBRE A PALESTRA COM O PROFESSOR DA UNICAMP.
Sobre o BR fazer superávit para pagar dívida externa. Citou dados de um certo lapso de tempo para mostrar os diferentes números. Disse que antes do governo FHC, estávamos destinando ao pagamento da dívida externa ao redor de 1,8% do PIB. No tempo do FHC, chegamos a gastar 12% do PIB para pagamento da dívida; no governo Lula, foi ao redor de 6% do PIB segundo citou. Lembrou que 6% do PIB é um valor bem alto, com sacrifício, mas já foi o dobro.
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