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domingo, 23 de setembro de 2012

NOVA ESPERANÇA, O JATOBÁ, O RAFINHA E PAULO FREIRE




              ilustração in :    www.biologo.com.br                    

Nova Esperança é uma cidade pequena que tem a particularidade de ter bastante criação de bicho da seda (que se alimenta de folhas de amoreira)  e fica perto de Maringá-PR.  Visitando Nova Esperança a serviço, no escritório da Emater cuja equipe  técnica da área de agropecuária orienta os pequenos produtores rurais do município.    Pois lá no pátio da Emater tem um frondoso pé de jatobá, que dá aquele fruto de casca preta, dura.  A árvore é muito bonita e o nome é indígena.
     Vendo dias trás o pé de jatobá lá na Emater, me lembrei de um episódio quando meu sobrinho Rafael, então Rafinha, tinha uns quatro anos e morava na Grande São Paulo.  Morava e ainda mora.     Indo visitá-los numas férias, levei por acaso um fruto de jatobá e dei de presente ao sobrinho que ficou curioso com o fruto raro.    Expliquei tudo que sabia sobre o fruto, que uns chamam de jataí, outros de jatobá, que o nome é indígena, que a árvore é grande e bonita, que os índios usam a casca do jatobá para fazer canoa e tudo o mais.
     Pois o Rafinha ficou encantado com o jatobá e colocou o troféu na bolsa de escola e lá se foi para o maternal.    Chegando lá, já em sala, mostrou o misterioso fruto para a criançada e foi um alvoroço.   Todo mundo queria saber detalhes daquele fruto alienígena, pela aparência.    E o bravo Rafinha já estava dando as primeiras explicações quando a professora deu um basta e confiscou o fruto e colocou o mesmo em cima de um alto armário.   Como alento, disse que iria devolver no fim da aula.     – Nada de tumultuar a aula, teria dito.        Lembrar que era turma de Maternal e criança de quatro anos não está lá para beabá, nem para dividir e somar!     
     Nem precisa dizer que o Rafinha ficou indignado e teve que cumprir a ordem superior, fazer o quê!      Ao chegar em casa, contou a vitória do agito frente aos amiguinhos e a frustração pela ação da professora.
     Daí me vem a imagem e os ensinamentos de uma figura ímpar na nossa história meio recente, na pessoa do grande educador Paulo Freire.    Ah! Se a professora tivesse assistido a ou as aulas que tratavam do método do Paulo Freire.    Bem que ela poderia aproveitar o entusiasmo do Rafinha e da criançada frente à novidade e deixar, quem sabe, o menino “dar a aula” em mesa redonda com os amiguinhos.    Uma aula que certamente jamais seria esquecida por todos e nesse todos poderia estar incluída até a professora que pode e deve ensinar e pode também aprender em sala e na vivência pois o que é a vida?

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

UM CARTUNISTA BRASILEIRO NA CHINA


                        a ilustração acima está disponível no site:
           
     Resumo feito pelo leitor:    Orlando Lisboa de Almeida    -  setembro de 2012


     Conforme já disse algumas vezes, das leituras que faço de 94 para cá, coloco aquilo que achei mais marcante num caderno que depois fica na sequência na estante junto com os livros.    Quando resolvo ir revisitar o tema, a essência está lá, sempre dentro do meu ponto de vista.
     Vamos ao caderninho, volume VIII, páginas 16 a 22.     Diga-se de passagem, uso computador mas não confio muito nos arquivos virtuais que podem ir para o espaço e eu não quero correr risco, então uso o rabisco no caderno para o caso.
     Livro:  Henfil na China (Antes da Coca Cola)
     Autor: Cartunista Henfil  (era hemofílico e faleceu cedo)
     Editora:  Record – Rio de Janeiro – Brasil
     Edição – 18ª. – ano 1987   - 310 páginas, com ilustrações do autor.

     Ele foi lá pelo ano de 1977 para a China por paixão política e missão de trabalho como repórter de jornal.     Primeiro voou até Paris e de lá seguiu para a China com escala no Paquistão.    No Paquistão viu, mesmo no aeroporto, a precariedade da vida do povo local.     Falta de muita coisa, de sanidade, sendo que viu até guardas de pés descalços.   
     Ele cita uma das diferenças culturais até para reflexão:  viu homens de mãos dadas no Paquistão e fez um paralelo.  Há vários povos que tem esse hábito pelo mundo, inclusive certos índios brasileiros e destacou que o andar de mãos dadas não afetou a masculinidade dos homens.    Temos que respeitar as diferentes culturas.
      A China tem 55 Nações.   As minorias, após a Revolução Comunista, passaram a ser atendidas pelo Estado.   E estas tem direito a representantes no Parlamento Chinês.   Sobre essa representação das minorias, fez uma reflexão sobre o Brasil.   Por quê não temos representantes das diversas Nações que compõem o nosso Brasil no Congresso?  Índios, por que não?    Ele faz uma esmerada justificativa dessa tese no contexto (na página 33 da edição citada).
     33 – “A autonomia da língua é o nó vital da autonomia cultural”.
     34 – “ Os costumes, os hábitos, as festas tradicionais e a religião das minorias nacionais são respeitados (na China).”
     34 – O Instituto das Minorias Nacionais e toda a sua estrutura...      “é como se ensinar o índio a ser índio”.   Resgatar a cultura local em sua diversidade.
     35 -  Só trabalhar ou só estudar.  Na China  (1977) a pessoa trabalha e estuda.  Costuma-se estudar no tema em que se trabalha e trabalhar no tema em que se estuda.
     35 – Não tem controle de natalidade para as minorias.  Só há para os Han, que são os majoritários na China em termos de quantidade de pessoas.
   36 – Se desestimula casamentos dos Han com as minorias.   As 54 minorias tem 6% da população chinesa e ocupam 50% do território chinês.    Procura-se que os Han não “invadam” (aspa minha) os territórios das minorias.
     36 – “Estrada nenhuma pode ficar estradando,  madeireira madeirando e multinacionais multinacionando por lá a torto e direito”.
     36 – Fala dos prédios toscos das escolas (1977), afinal não faz tantos anos que  houve a revolução comunista e a pobreza era muito maior por lá.   Diz que o mais relevante é o que se aprende nelas e não os prédios.
     37 – As privadas são para uso de cócoras.   Sem contato com o assento.   Mais natural e menos risco de doenças.   “evita até prisão de ventre”.
     47 – Fezes e urina humanos são coletados e tratados para fertilização de lavouras, afinal passa de um bilhão a população chinesa e não se pode desperdiçar nada.
     50 – Camas sem colchão; uso do tipo de tatame sobre a cama, algo como uma esteira.    Travesseiro de madeira ou de porcelana e nada de problema de coluna, etc.
     62  - Hotel bom  sem chaves nas portas dos quartos dos hóspedes.  Ninguém mexe em nada.    Índice de roubos e furtos é relativamente muito baixo por lá e este é um ponto que os ocidentais não costumam destacar.
     65 – Operários trabalham e estudam.   Fábrica tem creche, biblioteca, escola, etc.
     65 – Mulheres operárias:   1/3 da mão de obra das fábricas.  Quando ficam grávidas, passam para serviço mais leve.   No parto, 56 dias de licença maternidade e depois, 1 hora por dia para amamentar o bebê na creche da fábrica.
     65 – Na fábrica, no ano (77) que visitou lá, o salário variava entre 33 yuans e 108 yuans, portanto não há muita discrepância entre os mesmos.
     65 – No pátio das fábricas, homens e mulheres operários treinam com fuzil meia hora por dia para estarem preparados para a defesa do País.
     68 – Idosos ajudando a cuidar (e repassar valores) às crianças nas creches.  Bom para os pais, bom para as crianças e uma terapia ocupacional para os idosos que se sentem valorizados.    O trabalho dos idosos é voluntário (não remunerado).
     70 – A mulher se aposenta (1977) aos 50 anos e o homem aos 60 anos nas fábricas.
     70 – Não tem férias.   Tem um curto período para viajar e visitar parentes distantes, afinal houve muita migração interna de lugares distantes e do campo para a cidade.
     70 – O administrador (ou a administradora) da fábrica em geral conhece um ou dois dos ofícios que se pratica na mesma.   A pessoa do comando pode mesclar seu trabalho com períodos de retorno à linha de produção, pegando no pesado como os demais operários.   Quem manda, sabe fazer e também tem maior respeito dos colegas.
     71 – Lá o camponês é visto como um pouco inferior aos operários da cidade.   Mas o autor disse que em geral são mais alegres que os empregados das fábricas.
     71 – Adulto não toma leite por lá.    É uma questão cultural inclusive pelo fato de que o organismo do asiático adulto não se dá bem com o leite.
     73 – Crianças nas escolas vão uma vez por ano ao campo fazer serviços leves como arrancar matos da lavoura, colher frutas, etc.    Assim aprendem algo sobre o modo de vida na zona rural e respeitam mais o povo da agropecuária.
      75 – Revista China Ilustrada é editada em 15 idiomas.
     85 – Luto na China é branco, não preto.   O mausoléu de Mao Tse Tsung é branco.

     Estes foram os destaques que anotei do livro que segue adiante com uma série de informações com ênfase na parte educacional do povo chinês.    Lendo o livro, apesar de ser de 1977, já consegue dar uma noção de que o sistema lá adotado iria alavancar a China a uma posição de destaque no cenário mundial.
    Depois desta obra li Laowai, da jornalista Sonia Bridi (Rede Globo de Televisão), já este livro, baseado no tempo de permanência de dois ou três anos lá como correspondente da Globo.      Ela tem uma visão mais superficial e meio debochada do povo chinês.       Pretendo também passar uma resenha deste livro dela em momento oportuno.       Se o livro é controverso, ao menos tem uma boa entrevista com o Dalai Lama que se estende por umas doze páginas.    O livro tem muitas fotos produzidas pelo esposo da Sonia Bridi, ele que é repórter fotográfico.



     

terça-feira, 11 de setembro de 2012

CAFÉ - UMA BEBIDA DA CHINA

   
                                  ilustração :      sindrof.com.br

  UMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O CAFÉ PARA QUEM GOSTA E CONHECE MAIS NA XÍCARA, NA HORA DE TOMAR

              Autor:  Engenheiro Agrônomo Orlando Lisboa de Almeida - Maringá - PR

     Já vou alertando que não vou fazer nenhum tratado acadêmico sobre café.   Vou colocar algumas coisas básicas sobre esta bebida tão popular no Brasil e em grande parte do mundo.    Muitos países, principalmente de clima frio, mesmo não produzindo café, tomam o produto com gosto e em quantidade bem acima do que o brasileiro toma.    E olha que o brasileiro toma um "bocadinho" de café.
     No Brasil se produz café basicamente de duas espécies de plantas, sendo que a mais usual por aqui é o chamado café Arábica, mas produzimos em menor escala o chamado café Robusta ou africano ou conillon.
     O café Arábica tem um paladar melhor e é mais usual para o popular cafezinho e o café expresso.  Já o Robusta é mais usual como matéria prima para café solúvel, que também tem bom mercado no Brasil e no exterior.
     Vamos falar principalmente de como o café é colhido no Brasil e como isto influi em sua bebida.   O cafezal produz várias floradas na primavera (média de três) até para preservar a espécie e fugir de alguma adversidade do clima.    Em decorrência disto, no outono, num mesmo cafezal, teremos café seco, maduro (vermelho ou amarelo dependendo da variedade) e verde.    Mais comumente, no Brasil o café é colhido de uma só vez no sistema de derriça, onde a pessoa puxa com a mão todos os grãos que estão em cada ramo e assim vem misturados grãos secos, maduros e verdes.
     Um sistema muito comum é levar todo esse café misturado (seco, maduro e verde) para o terreiro de secagem em conjunto, ao sol.    Isto de certa forma nivela por baixo a qualidade da bebida do café, pois o café que já estava seco já foi um pouco atacado por fungos que, apesar de não tornar o grão impróprio para consumo, vai afetar o sabor da bebida negativamente.    Os grãos verdes podem estar em parte imaturos e no momento de torrar tudo misturado, também estes grãos derrubam um pouco a qualidade do produto final.
     Acima está demonstrado de forma geral uma forma muito usual de secar café e as consequências na bebida que será oriunda desse café.
     Outra forma é levar o café colhido na derriça (tudo de uma só vez) para o terreiro onde haverá secos, maduros e verdes.     Se usarmos o processo de colocarmos esse café, já que chega do campo, numa caixa de água, o café seco boia, ficando então separado do maduro e do verde que afundam.   Aí já temos uma forma de melhorar a bebida do maduro e do verde que foram separados do seco.     Depois de separar o seco, pode o café passar já em seguida por uma máquina simples, na propriedade rural, que descasca o café maduro e não descasca (e separa) o mesmo dos verdes.   Então teremos no caso três tipos de café, cada um com sua qualidade.    Espera-se que o seco é de menor qualidade de bebida, o verde, de qualidade intermediária e o maduro, da melhor qualidade.      Nesta forma, cada fração (verde, maduro e seco) é colocada para secar ao sol ou em secador em separado.      
     Sobre as bebidas resultantes do café, costumamos chamar de forma resumida em bebida mole (e suas variações), dura e rio.       Rio porque era comum no passado mais remoto exportar café em quantidade por um porto do Rio e o local era muito úmido e o café lá estocado era em parte afetado por fungos que alteravam para pior a qualidade do café.
     O café mole é tão suave na bebida que em geral nós não estamos habituados a degustar e por isso, quando provamos, tendemos a achar que não tem o sabor típico do cafezinho do dia-a-dia.    É um café para os iniciados na arte, que não é bem o meu caso.  (  E tem alta cotação na exportação.)
     O café duro, é de muito bom sabor, afinado com o paladar brasileiro e de grande aceitação no mercado interno e externo.      Paladar que vai sofrendo alguma mudança imposta pela mistura que tem sido um tanto comum no setor para o mercado interno, visando baratear o custo e nivelar por baixo o popular cafezinho.  Estão misturando o café arábica com o africano (robusta), este que custa uns 60% do valor do arábica.    Por isso tem gente, com boa razão, que defende a tese de que se há mistura, que esta esteja estampada no rótulo do café que compramos no mercado.    Se eu quero café 100% arábica, que tende a ter melhor bebida, que eu possa comprá-lo com essa característica.    Se aceito o misturado, questão de gosto do freguês.
     Agora uma palavrinha sobre o café da Colômbia, bem comentado no setor.     Não sou um profundo conhecedor do café daquele país, mas consta que se trata do café arábica e que, sendo plantado mais perto da linha do Equador, não tem um período de queda de temperatura como o nosso café Tropical e por isso a lavoura floresce num período muito maior do ano.    Assim sendo, eles tem café maduro em grande parte do ano e usam colher o café maduro, a dedo, grão por grão.       Colhendo sempre o maduro não deixando que o café fique no pé até secar, tende a bebida a ser de qualidade.    Claro que o custo de colher o café a dedo, só os grãos maduros, tem um custo mas também tem um benefício.    Para o colombiano compensa a equação e eles tem um preço muito diferenciado por essa forma específica de colher e secar o café.    Não conheço no Brasil algum estudo sobre o custo e benefício de colher o café a dedo, só os maduros.   Se isto fosse feito, teríamos por aqui também uma elevação da qualidade do produto colhido e precisariamos criar um nicho de mercado para a nossa nova forma de manipular o café.
     Espero ter contribuído para que as pessoas que não são versadas no assunto do café na lavoura, tenham uma idéia das formas de processamento do produto.

                 orlando_lisboa@terra.com.br