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quinta-feira, 26 de maio de 2011

O DÍZIMO DA NATUREZA

     Na segunda feira passada, dia 23 de maio,  numa tarefa de rotina como engenheiro agrônomo, fui avaliar uma propriedade rural lá em Querência do Norte-PR que fica na divisa com o Mato Grosso do Sul e é banhada pelo Rio Paraná.      Naquela região há extensas várzeas do rio e há bastante plantação de arroz irrigado.    Em todas as épocas do ano que visitamos a região da várzea, avistamos bastante espécies de aves, incluindo muitos tipos de patos silvestres, garças, gaviões e muito mais.   É  um espetáculo a céu aberto.
     Nesta visita, passando ao lado de uma roça de milho que está na fase de milho verde, notei que havia muita palha desfiada de milho verde em muitos lugares do carreador que faz divisa entre a lavoura e a mata ali do lado, dentro da fazenda.      Logo deu para perceber que aquilo era obra dos macacos silvestres que habitam por lá, pois se fosse obra de alguma pessoa, o normal é chegar num canto da roça, colher tantas espigas quanto se queira e ir embora.    Mas tinha palha em tiras finas pelo chão, formando carreirinhas, rumo da mata em muitos lugares.      Não demorou e um macaquinho saiu da roça com uma espiga e se mandou para a mata.
     Colocando os pingos nos is, aquelas terras pertenciam à fauna e os produtos da Mãe Natureza eram para prove-la.      Olhando por esse lado, os macaquinhos do pouco da floresta que deixaram na fazenda estão apenas levando um pouquinho do que por direito de tempos insondáveis é deles.    Um pequeno dízimo apenas.  


                              orlando_lisboa@terra.com.br

sexta-feira, 20 de maio de 2011

MAUÁ - SP NO TEMPO DO VEREADOR SANVIDOTI


                             (foto do site www.ferias.tour.br)

     O tempo passa muito rápido e já faz um punhadinho de décadas que eu estudava no Colégio Viscondão e no trecho, no centro de Mauá, perto da estação do trem, tinha o Bar ABC onde a moçada se reunia principalmente na sexta feira depois da aula para jogar conversa fora e curtir as amizades.    
     Muito pertinho do Bar ABC ficava no primeiro andar a Câmara de vereadores de Mauá, que já foi num passado distante pertencente à comarca de Santo André.
     Não muito diferente dos outros municípios de ontem e de hoje, os vereadores em particular e os políticos em geral deixam a desejar e tudo por culpa dos eleitores que merecem as figuras que os representam no poder.
     São tantas barbaridades que acabam gerando um folclore político e depois a gente nem consegue separar o que foi fato ou boato.    Dizem que numa reunião acalorada na Câmara de Mauá do tempo do Sanvidoti mais ou menos,  os ânimos estavam tão acirrados que um deles, num lampejo de luz nas idéias teria pedido a atenção de todos, pois tinha uma solução magistral para o problema:   - Olha gente, não adianta esquentar a cabeça não.   Vamos devolver Mauá para Santo André e pedir desculpas pelo estrago.

     Outra vez  os vereadores perceberam que  na Avenida Barão de Mauá, há uns 100 metros da estação, onde a avenida faz uma curva para a direita, há uma micro pracinha com uma calçada circular de uns cinco metros quadrados.  Pelo menos havia.     E  nessa pracinha havia um pequeno obelisco de pedra.  Eis que os vereadores tiveram a idéia, dois de uma vez, de fazer uma obra pública naquela pracinha.  Um entrou com requerimento para a prefeitura colocar o busto do Barão de Mauá na pracinha,  numa homenagem àquele ilustre do passado que dá nome à cidade.   O outro vereador não deixou por menos, só que tentou ser mais prático.   Como o povo anda muito apressado por ali, indo e vindo de trem, a idéia foi de colocar um relógio na pracinha para que todos pudessem desfrutar da hora certa.  
     Na discussão na Câmara, um terceiro vereador teria dito:    Os dois nobres colegas tem que chegar a um acordo, se colocam o relógio no pulso ou no bolso do Barão de Mauá, pois o Barão e o relógio não cabem na praça...

terça-feira, 17 de maio de 2011

FALANDO UM POUCO DO CÓDIGO FLORESTAL PARA LEIGOS

     Como profissional de agronomia e como cidadão, acho que devo falar um poquinho do código florestal que está em discussão acirrada lá no Congresso Nacional.    Por profissão e paixão pela Natureza, venho acompanhando o caso e já assisti algumas palestras aqui na região com os protagonistas do novo código no Congresso Nacional, sendo um deles o deputado Moacir Micheletto, paranaense e o Aldo Rebelo, do PCdoB de SP, este que é o relator do  polêmico projeto.
     O Código vigente (já houve anteriores) é de 1965 e o pessoal que quer mudar o Código para pior (contra a Natureza) alega que por ser o código "velho", precisamos votar um mais moderno.    O grande "defeito" que eu vi no Código Florestal de 1965 é que ele ficou meio no papel e nossa Nação que a criou, não teve a coragem de colocá-lo em prática.      Grosso modo ele, junto com as leis que lidam com o assunto, garantem para a região Amazônica, a preservação de 80% da vegetação nativa; em grande parte do Brasil (inclusive todo o sul) 20% de Reserva Legal de mata nativa e nos biomas do Cerrado e Caatinga, ao redor de 35% de vegetação nativa.     Além disso, tem as chamadas APP ou PP que são as áreas de preservação permanente, como as matas ciliares (que protegem margens de rios, nascentes, etc), as encostas de morros com declive de 45% ou mais, restingas e alguns outros tipos de formação.   Vejam então que o Código de 1965 é moderno e a falha foi de quem não obedeceu o mesmo e que está fora da lei e por isso, esperneando.    
     Boa parte da polêmica da "lei moderna" que foi apresentada quer perdoar aqueles que desmataram em suas propriedades área superior àquela que a lei permitia.    Quer também que toda propriedade pequena  (abaixo de 4 módulos) não precise de ter a chamada RL Reserva Legal.    O módulo depende da aptidão do solo de cada região.   Aqui na região de Maringá um módulo é ao redor de 14 hectares.    Quer também que nas beiras de rios, nos lugares da PP em que a pessoa não deixou a mata ciliar, seja considerada área "consolidada" , já em uso tradicional e que esta área fique como está.    Aqui o complicador é o caso das pessoas que vem usando irregularmente as várzeas nas beiras dos rios para plantio de arroz.     Aqui pode pegar a questão social de quem depende dessa atividade neste tipo de solo de várzea.
     As beiras dos córregos mais estreitos tem que ter atualmente 30 metros de mata ciliar de cada lado e querem com o novo Código, passar a ter apenas 15 metros.   É um retrocesso isso.
     Há também alguns casos de plantio de plantas perenes como uva em declive acima de 45% (que é considerada PP) e mesmo de café em algum tipo de morro (acima de 45% de declividade)  principalmente no sul de MG.    Aqui também pode ter o lado social como complicador, se bem que a grande maioria dos morros estão abaixo do declive de 45%.
     Quando protegemos os morros muito íngremes, protegemos inclusive as populações que vivem nos entornos dos riscos de desabamento.
     Quando protegemos as beiras de rios, estamos evitando as enxurradas levando solo e mesmo agrotóxicos aos rios que contém a água que abastece nossas cidades.    Protegemos a fauna também.
     Em resumo é isso.     Ver que é algo que diz  respeito a todos nós, do campo e da cidade.  
     Esperamos que com a aprovação do novo código, o pessoal passe a respeitá-lo na forma da lei para o benefício de nós todos.    

sábado, 14 de maio de 2011

DESFILE DO ANIVERSÁRIO DE MARINGÁ E NIEMEYER

   (foto de Valkiria no blog  livros& risos)

     O desfile do aniversário de Maringá tem sido temático.    Neste ano, com justiça, resolveram homenagear o maior arquiteto brasileiro de que tive notícias, chamado Oscar Niemeyer, que já é mais que centerário e felizmente ainda está no nosso convívio.     Não sou nenhum especialista na obra dele e nem sou do ramo, mas nas visitas a obras dele espalhadas pelo Brasil e nas leituras de textos que abordam Niemeyer e sua obra, destacamos alguns pontos curiosos da obra dele.
     Catedral de Brasilia -  Destacamos que Niemeyer é comunista e ateu, mas com a cultura que tem, não teve a menor dificuldade para criar a Catedral de Brasilia.   Um dia lendo uma revista do Rotary,  esta dizia que o arquiteto O.N. se inspirou na coroa de espinhos de Cristo para conceber a fachada da Catedral de Brasilia.    Olhando para a obra ou sua réplica no caso da foto, faz sentido a explicação.
     Praça da Apoteose -  Para o sambódromo do Rio de Janeiro, por encomenda do governador Brizzola, ele criou o sambódromo que em tempo fora do carnaval, pelo que me informaram, as arquibancadas funcionam como escola regular, o que é muito louvável.   Um uso social para uma obra dessa envergadura.    O curioso é que no Sambódromo tem aqueles arcos invertidos que formam a chamada Praça da Apoteose, onde as Escolas de Samba desfilam em frente às autoridades e que fazem as manobras mais sofisticadas.    Li uma referência que o arquiteto ON teria se inspirado nos quadris de uma passista do samba para compor aquela Praça da Apoteose.    Verdade ou não, olhando para aqueles arcos, faz algum sentido.
     Museu O.Niemeyer - Museu do Olho - Em Curitiba.     Um dia eu visitei o museu ON em Curitiba, mas não consegui acesso ao Olho em si, que fica mais elevado do solo.    Mas deu para ver  muitas gravuras, no sub solo, de Pablo Picasso que foi um gênio na sua arte.
     Igreja de São Francisco - Na Lagoa da Pampulha - BH - Minas Gerais.   Faz pouco tempo que tive a oportunidade de ir visitar BH a passeio e visitei a região do lago da Pampulha e nem sabia que em volta do lago há umas quatro obras de ON, com destaque para a Igreja de São Francisco, dentro da qual tem também obra de vários artistas plásticos, sendo um deles, Cândido Portinari.    A igreja é bem pequena mas é ímpar em sua arquitetura e atualmente funciona como um museu que pode ser visitado e que vale a pena.
     Monumento a JK em Brasilia.   Neste, que é uma coluna de concreto reta que sobe uns 20 metros e forma uma meia lua onde fica a estátua de Juscelino, o presidente que  fundou Brasilia.   Após a meia lua, segue a coluna reta por mais um tanto.     Consta que o arquiteto, comunista que é e genial que sempre foi, teria com aquela obra feito uma pegadinha:    Olhando de longe a obra que é alta, representaria a foice e o martelo, o símbolo do comunismo da antiga URSS.    Pode ser que sim e pode ser que não... quem sou eu para dar o veredito no caso!
     O fato é que Oscar Niemeyer é o ícone da arquitetura do Brasil.   É  e será..

domingo, 1 de maio de 2011

O PEDRÃO E SEUS DOIS CÃES


                                                     foto ilustr. de oglobo.globo.com

      A cidade é Maringá, no Paraná e a praça se chama Napoleão Moreira da Silva, mas que no popular é a praça da Pernambucanas.   No coração da cidade, sem placas, ninguém sabe o nome e nem a nobreza do pioneiro que dá nome à praça.   E olha que na dita cuja há uma estátua com o busto em bronze do homenageado.    Espero que o busto esteja bem preso no concreto do pedestal porque atualmente com a onda do crack, a turma fuma no cachimbinho tudo que é placa de bronze, principalmente de cemitério.  Claro que fumam após levantar um troco ao vender a placa para uma “treide” (trading) que comercializa esse tipo de “sucata”.  O progresso tem seu preço.
     Eu até ia me esquecendo do nosso amigo Pedrão.    Dizem que uma pessoa quando parte para LINS, lugar incerto e não sabido, geralmente fugindo de credores, anoitece e não amanhece.    Pois com o Pedrão a coisa pareceu ao contrário:   ele não anoiteceu na praça e amanheceu lá e ficou.    Adotou a praça por moradia e tem do lado uma torneira para abastecimento e banho e para dar água aos seus dois cães de estimação.     Eu não falei com o Pedrão, mas o dono da Banca ali do lado disse que é esse o nome, mas isto nem é o mais relevante, porque uma pessoa que vive na rua tem sua história para si e nem sempre conta de verdade de onde vem e para onde vai e nem sabe de vai ou fica.  Vai vivendo, um dia após outro. 
     O Pedrão tem como a principal mobília o banco da praça onde se senta para descansar, deita para dormitar e usa a parede do fundo da banca para encostar o velho e surrado saco com todo seu patrimônio.    Desconfio que seu maior patrimônio está entre a esperança que deve existir ainda e seus dois cães fieis.    Ao ponto de ficarem sempre vigilantes, cuidando do amigo Pedrão e cuidando até do território deste na praça.   Se alguém meio desavisado passa mais perto deles, os cães mostram quem manda por ali. 
     Vendo o Pedrão no ir e vir à pé ao trabalho, me surgiu uma reflexão meio estapafúrdia, daquelas que a gente fez cá com nossos botões e não tem coragem de contar para ninguém.     Imaginei que o povo anda bastante sensível e pode sentir pena e querer adotar.   Adotar os dois cães do Pedrão...    Vão achar que o Pedrão não tem perdão nem solução.   No máximo, dá uma rima e mais nada.    Tomara que o Pedrão não seja o “próximo”, porque se for, no juízo final, ter juízo pode ser tarde demais.
                   Autor da Crônica:   Orlando Lisboa de Almeida  - Maringá - PR