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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

TROVAS - FUI PRA MARTE E JÁ VOLTEI (18122013)

TROVAS – FUI PRA MARTE E JÁ  VOLTEI   18122013

Orlando Lisboa de Almeida      orlando_lisboa@terra.com.br


Como tinha prometido
Uma certa ocasião
Sem fazer muito alarido
E  nenhuma afobação
Pra marte eu tinha partido
E já voltei pro meu chão

Chegar em Marte foi canja
O vôo foi muito reto
O caronista se arranja
E partiu muito discreto

O duro foi o acesso
A São José dos Pinhais
Pois a marcha do progresso
Está de cara “pra trais”

Botaram verba do PAC
Na mão do governador
Pra alargar com destaque
O acesso ao campo aviador

Quem duvida vá lá ver
A obra não acabada
Tem mais cone do que pista
Está um nó na estrada

Mas vamos parar de gastar
Vela com governo ruim
Vamos logo embarcar
Que Marte está pra mim

Passei por telepatia
Um recado ao marciano
Aceitando o convite
E o transporte OVNIano

O marciano da nave
Mandou logo um recado
Que eu fosse pontual
Ou não seria embarcado

Tinha nuvem no aeroporto
Mas isso era fichinha
Com que lê telepatia
Nuvem não tira farinha

Peguei na mão do marciano
Educado, coisa e tal
Minha mão logo ferveu
Quase uma brasa o da nau!

Ele me olhou com três olhos
E me deu um sorriso aberto
Sorriso de amizade
De povo bom e liberto

Apertou muitos botões
E a nave logo partiu
Subiu retinha pra cima
Tão ligeira e ninguém viu

Foi num piscar de “zóio”
A nave foi maneirando
Pousou suave e tranqüila
E vi que estava chegando

Olhei pela janelinha
E vi tudo meio rajado
Era cinza, era grafite
Redondo e quadriculado

Marciano ia e vinha
De tudo que era lado
Vinham buscando notícia
Do estranho que era chegado

Puxei o lenço do bolso
Acenei como de paz
Mas eles logo notaram
Que eu sou um bom rapaz

Me encheram de perguntas
Sobre as coisas do meu chão
Tão pequeno e tão distante
Minha Terra, meu torrão

Não sou de torcer as coisas
E tive que ser sincero
Falei que tem coisa boa
Mas tem muita nota zero

Tem até o Facebook
Uma legião de amizade
Mas o povo só reclama
De tudo na humanidade

De certeza, só a morte
Mas tem algo esquisito
Todos reclamam da sorte
Mas ninguém quer ser finito

O marciano sorriu
Dessa grande incoerência
Reclamar tanto da vida
Mas querer a permanência

Disse que cá em Marte
Tem gente alta e magrela
Gente de pele azul,
Verde musgo e amarela

Falam um porre de idiomas
Mas não há problema algum
Todo mundo se entende
Um por todos, todos por um

Quase pedi asilo
Em Marte para morar
Mas achei muito calor
E a falta de familiar

Pedi carona de volta
Trouxe até umas pedrinhas
Para guardar de lembrança
Dessa minha escapadinha

Desci no aeroporto
Estava meio chuvoso
Era no cair da tarde
E o trânsito, pavoroso!

Na estrada, num auto-imóvel
Que ficava mais parado
Do que andando na pista
E o povo desconsolado

Coisas que nós criamos
Automóvel, caminhão,
Estrada, trevo, buracos
Complicamos a evolução

Agradeci ao marciano
E antes de seguir além
Pedi que não abrisse o bico
E não contasse pra ninguém

Não contasse pra ninguém
Deste mundão sideral
O nó que o homem aprontou
Com esta obra celestial.





terça-feira, 17 de dezembro de 2013

RESENHA DA AUDIÊNCIA PÚBLICA – INDÍGENAS DO PARANÁ




Anotações por:   Eng.Agr.Orlando Lisboa de Almeida     orlando_lisboa@terra.com.br

Local e data:   Assembléia Legislativa do PR, dia 11-12-13   (9.30 – 13.00 h)

     Na mesa, os deputados estaduais Péricles, Rasca Rodrigues e Tadeu Veneri;
    Diogo Oliveira, antropólogo da FUNAI no PR;
    Olympio Sá Sotto Maior Neto – Coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Promoção aos Direitos Humanos do Ministério Público;
     Dr.Teo Marés – Procurador do município de Pinhais-PR;
     Dra.Antonia Lélia Neves Sanches – Procuradora da República no Estado do Paraná;
     Dr.Luis Eduardo Canto Bueno – Coordenador da Área Indígena do Caop-DH;
     Cacique Kaigang Romancil Cretã  - filho do Cacique Ângelo Cretã que foi assassinado no passado na região de Mangueirinha na luta pela reconquista das terras indígenas;
     Cacique Guarani Ilson Soares – aldeia indígena Tekohá Yhovy;      
     Rildo Mendes – Coordenador Administrativo da Articulação dos Povos Indígenas do Sul – Arpin – Sul.
      Sra. Tina Tchenna Maso – Representante da  Plataforma  Dhesca Brasil que defende a causa indígena.

     Fala do Cacique Kaigang Romancil Cretã   (filho do Cacique Cretã – morto pela causa das terras indígenas):
    O Paraná esconde uma história.   E esta história é a que levou os índios do estado à situação  de penúria em que se encontra hoje.  O PR construiu uma economia importante mas não olhou para os povos indígenas.  Um decreto do então governador Moyses Lupion usurpou uma área muito expressiva que pertencia aos índios.   Terras indígenas que estavam em nome da União e que não poderiam ser repassadas a terceiros (como foi feito) por um decreto do governador do estado.   Ele disse que a atual ministra Gleisi, que é do Paraná, ao seu ver nunca falou a favor dos índios do estado.
     Os indígenas que foram expulsos da região de Guaira – PR estão retornando, mas enfrentam a reação dos que usurparam suas terras.     Relembrou inclusive do Cacique Cretã, que era de Mangueirinha-PR e foi assassinado na luta pela posse das terras.   O processo demorou 40 anos para os índios retomarem a posse legal de suas terras em Mangueirinha.     Ele disse que aparentemente não se vê muita reação, mas os índios não estão parados em suas ações na busca de reaverem suas terras.
    Disse que do tempo do governo FHC para cá, foram mortos no Brasil 727 indígenas, a maioria, lideranças destes que lutavam pela reconquista das suas terras.   Suas e dos seus antepassados.   Em geral, crimes impunes.   Segundo dado citado na mesa, dos 727 índios mortos, ao redor de 400 teriam sido no tempo dos dois mandatos do Presidente Lula.
      Falou da PEC 215 que é péssima para os indígenas.  Tira do governo federal (do executivo) o poder de decidir sobre demarcações de terras indígenas e passa para o Congresso Nacional.    Entende que assim piora tudo e não se demarca mais nada.
     Disse que no Brasil em 1500 havia ao redor de cinco milhões de indígenas aqui e na atualidade seriam apenas 750.000.     Somos uma das maiores economias do mundo e estamos tratando de forma miserável os povos tradicionais de modo geral e os índios em particular.  (Tem os quilombolas e outros).
     Informou que na região de Guaira – PR onde há OITO acampamentos indígenas, as condições de saúde, saneamento, educação, são todas quase inexistentes.   O Estado não tem feito nada.  Não tem posto de saúde, água potável e os ônibus escolares das prefeituras não levam as crianças indígenas para a escola alegando que isto é atribuição da FUNAI. 
     Citou que no estado do MS há mais boi do que gente.  E provocou:   Será que o boi é mais importante do que o índio?
     Em Guaira – PR uma das alegações das autoridades para não dar assistência aos índios que estão em acampamento precário é que muitos deles estão vindo de fora, já que lá é fronteira com o Paraguai, MS, etc.    Ele alega que na verdade, são índios originários da região de Guaira.   Se espalharam quando foram escorraçados de suas terras, mas são de lá.         A proposta dele é que se forme uma Comissão Mista de Deputados Estaduais e lideranças indígenas para rever o decreto do Governo Moyses Lupion e buscar uma solução justa para que os índios tenham sua terra.
     Fez constar que em Guaira – PR chegaram a seqüestrar a secretária da FUNAI  local para intimidar os índios que lutam por suas terras.      A indústria da construção civil local e mesmo as Cooperativas agropecuárias não admitem mão de obra dos índios para dificultar a presença deles na região.    Houve um “atropelamento” com morte de um índio lá em Guaira numa forma muito suspeita, com alta velocidade, dentro da cidade.  Houve tiroteio e morte de índio em Guaira e as autoridades alegaram que foi “briga de bar”, sendo que o tiroteio ocorreu na rua.   Agradeceu a mesa por lhe conceder a palavra e disse que  espera que esta Audiência Pública seja o primeiro passo para que se dê atenção à causa e que se faça algo pelos índios.   São mais de dois mil índios acampados entre Guaira e Terra Roxa – PR.
     Lembrou que as autoridades de Guaira chegaram a apoiar uma manifestação contra a presença dos índios acampados no município e que a prefeitura iria dispensar os funcionários públicos para engrossar o movimento e que isso teria sido impedido pela Justiça local.
    Em resposta aos que dizem que os índios, em parte, vieram de fora e são “estrangeiros”,  ele lembrou que foram eles os primeiros a habitarem estas terras E QUE NÃO FORAM ELES QUE CRIARAM FRONTEIRAS NEM DE ESTADO, NEM DE PAÍS NA REGIÃO DE GUAIRA – PR.      As fronteiras foram coisas dos colonizadores.

     Fala da Sra.Tina Maso:

   O MS é o segundo estado brasileiro em número de indígenas e lá tem muitos índios sem território e sem cidadania.  Gente vivendo em acampamentos em beira de estradas, de rodovias, sendo que crianças indígenas estão no risco permanente de atropelamento.   Também tem as aplicações de agrotóxicos nas fazendas, ameaçando os índios acampados.
     Os cidadãos brasileiros quase nada conhecem sobre nossos índios e a reação é de repulsão a quem não se conhece.  Há escolas em certas aldeias, mas o material escolar em geral não é adequado às crianças indígenas que aprendem cedo a língua materna e depois na escola tem dificuldade com o material escolar inadequado à sua cultura.
     Quando foi promulgada a Constituição Federal em 1988, esta deu prazo de CINCO anos para serem demarcadas as terras indígenas.    Infelizmente ficou só no papel a grande maioria dos casos.    A FUNAI nem sempre tem os recursos financeiros, materiais e humanos para cumprir de forma adequada às suas funções.  Ela faz um esforço, mas faltam meios.
     O Brasil é um dos primeiros países a implantar Postos de Saúde para os indígenas, mas os tais não foram estruturados de forma adequada ainda.  Há precariedade.
     Ela disse que a grande mídia não destaca a causa dos índios.

     Fala da Dra.Antonia Sanches – Procuradora da República no Paraná:

     Ela acompanha a causa dos índios há anos.   Falou dos Oito Objetivos do Milênio e lembrou que o Brasil é signatário dessas metas e cuidar dos índios e das demais comunidades tradicionais está no contexto.
     Destacou o Artigo  V da Constituição Federal de 1988 que é contra a vida degradante.    Os indígenas lá do Oeste do Paraná estão ao deus dará.
     Dentro do que diz a CF de 1988, o MPF defende que enquanto os índios não conseguem a posse das suas terras, deveriam ter acesso ao menos a moradias dignas na região.   Ela disse que o MPF não tem a solução imediata para a questão e pede para o poder público ouvir (e ir lá conhecer) as comunidades indígenas e procurar encaminhar suas lutas, suas demandas.    Na opinião dela uns 2.000 alqueires de terra (não é muita coisa) poderiam dar algum alento aos índios da região que estão na condição precária.

     Fala do Representante do Ministério Público Estadual

     Elogiou os três deputados estaduais presentes (Tadeu Veneri, Péricles e Rasca Rodrigues) por serem os que estão preocupados com essa causa.    Ele diz que deveria se restabelecer uma sede da FUNAI aqui no Paraná.   Recentemente a sede local de Curitiba foi transferida para Chapecó-SC  (ao que parece por alegação que estaria mais próxima das comunidades indígenas).    Recomenda que se continuem os trabalhos de demarcação das terras indígenas no PR.
     Reprovando a passeata que houve em Guaira – PR contra a presença dos indígenas por lá, destacou que todas as esferas do poder público e a sociedade civil organizada podem e devem agir em prol dos povos indígenas.
     Pediu que se adapte o Pronaf  (Programa Nacional de Apoio ao Agricultor Familiar)  que é do Governo Federal e que tem verba para financiar os pequenos agricultores, de forma a atender também os índios.

     CARTAZ  -  foi colocado na altura da mesa da Audiência um cartaz com os dizeres:
Quantas cruzes serão necessárias para crucificarem os povos indígenas se o nosso país continuar com este caráter desenvolvimentista predatório e autoritário?”
     O cartaz tem a chancela da ARPIN, APIB Associação dos Povos Indígenas do BR e da ONG Somos Todos Guarani Kaiowa.

     Após as falas, foi anunciado pela integrante do MPF que foi restabelecida a sede da FUNAI para o Paraná e que a mesma será instalada até março de 2014.

     Fala do Antropólogo Diogo Oliveira – pela FUNAI do Paraná.     (10:45h)

     Tem menos de dois anos de FUNAI, atuava em Guaira – PR e já sofreu ameaças por causa da luta pela causa dos índios.   Ele fez um breve histórico das leis e ações da FUNAI.
     Artigo 231 da CF de 1988 – Direitos fundamentais dos povos indígenas.
     Antes de 1988 a lei brasileira não assegurava aos povos indígenas os meios para que estes vivessem de acordo com as respectivas culturas.  Era então a chamada visão Civilista.  Já a CF de 1988 deu essa garantia no papel e nesse aspecto foi um avanço.   O duro está sendo tirar isso do papel.
     A FUNAI é ligada ao Ministério da Justiça.    Há no Brasil 419 terras indígenas demarcadas.   Algo como 12% do território nacional    (105 milhões de hectares).    Por outro lado, ainda há antigos moradores em muitas dessas áreas que assim não estão ainda de posse completa pelos índios.
     Ele disse que os dados dos diferentes órgãos do governo sobre a população indígena ainda tem divergências.  Tem da área de saúde, educação, etc.
     Mato Grosso do Sul – 1,46% de áreas indígenas.     Os números a seguir mostram um pouco da realidade dos “amontoados” em que estão os índios em MS.    A população geral do MS está com a seguinte densidade:   6,86 habitantes/km2.   No caso dos índios do estado, são 149 indios/km2.
     PR nosso estado tem 0,5% do território como terra indígena.
     Problemas alegados pelo representante da FUNAI:
Ø      Falta de profissionais especializados não só nos quadros da FUNAI como no País;
Ø      Resistência dos ocupantes das terras em disputa – quando a FUNAI vai a campo há risco de vida aos seus quadros;
Ø      Judicialização (meandros legais)  dos processos administrativos;
Ø      Pressão política
A FUNAI tem buscado integração com outras entidades, principalmente com o INCRA que é federal e está envolvido com a Reforma Agrária.
           Um nó (expressão minha):   Ele disse que no caso do Paraná, houve lá no passado (Governo Moyses Lupion) um decreto estadual que “doou” terras da União (de forma ilegal) aos agricultores.    Agora, se a FUNAI tenta retomar terras da região para os índios, o agricultor busca indenização e a União não tem meio legal para indenizar o que “já é dela” por direito.    Eis o nó.
     No Paraná, até 2009 a FUNAI tinha os escritórios de Curitiba, Londrina e Guarapuava.  Na reestruturação recente, a sede de Curitiba foi extinta e a sede que rege o Paraná está em Chapecó-SC.
      O representante do Ministério Público Estadual sugeriu ao colega da FUNAI que nesse processo de se restabelecer o escritório da FUNAI em Curitiba (previsto para março-14), que se apresente os pré requisitos para que o mesmo se instale com o aparato humano, etc, de forma a poder agir de forma adequada.
     O Diogo lembrou que na reestruturação foram mantidas representações da FUNAI em locais perto dos índios como em Guaira, São Jerônimo da Serra, por exemplo.
     Sobre demarcação, ele informou que os responsáveis por esta área na FUNAI ficam centralizados em Brasília.   
     Foi dito que a Emater (que presta assistência técnica aos pequenos produtores rurais) do Paraná tem acesso a recursos financeiros do MDA Ministério do Desenvolvimento Agrário para atuar em terras indígenas.     Por outro lado, a Emater não disponibilizou técnicos para atender os índios em Guaira nem em Terra Roxa-PR.      O promotor ficou de cobrar esse tipo de ação do Governo do Estado.
     O Diego lembrou que o gargalo é o fato dos índios não deterem a posse da terra e então o Estado do Paraná não leva nenhum tipo de assistência a esses povos.
     A representante do Ministério Público Federal, que conhece a realidade de campo do setor, disse que seria interessante os agentes envolvidos na causa irem lá visitar os povos indígenas e ver como vivem e suas angustias e demandas.   Muito razoável a colocação dela, por sinal.
     O Diogo da FUNAI lembrou que os trabalhos técnicos para a busca da demarcação das terras indígenas na região de Guaira – PR, Brasília (FUNAI)  solicitou laudos para uma Antropóloga da UEM Universidade Estadual de Maringá e após quatro anos ela não tinha dado retorno.   Teve que ser cobrada judicialmente e então ela apresentou um laudo “preliminar” que a FUNAI julgou insuficiente.    Tudo isso vai retardando o processo.
     Na parte onde o plenário se manifestava, o Diogo da FUNAI destacou que aqui no Paraná a instituição tem dificuldade enorme em ter um diálogo qualificado com o governo do Estado.   Este é um aspecto que dificulta ainda mais os trabalhos desta.

     Fala de uma autoridade ligada ao Ministério Público.

     O senso comum é dizer que o índio quer muita terra para pouca gente.  É um argumento contra a cultura indígena e ainda preconceituosa.   Lembrou que as áreas comprovadamente mais preservadas no BR estão em reservas indígenas onde ao redor de apenas 0,5% está sem a cobertura da mata nativa.

    Fala da Dra.Maria Tereza Uille Gomes:

    A Secretária Estadual de Justiça e Cidadania do Paraná usou a palavra  (ela chegou por volta das 12 h – talvez tenha vindo de algum outro compromisso de trabalho) e no caso de Irati-PR onde os representantes reclamaram da falta de ação do Governo do Estado na questão indígena, ela sugeriu que se construa um Plano num trabalho conjunto entre o Estado e a sociedade civil organizada para delimitar o problema e buscar soluções para o caso.


     O cacique indígena de Mangueirinha (Romancil Cretã), sobre a questão indígena no Sul do Brasil, disse que já houve dois eventos com a presença do Ministro da Justiça, um no RS e outro em SC e que estaria sendo articulado um terceiro aqui em Curitiba-PR para janeiro de 2014.    Sugere que façamos esforço para que o Ministro venha também no evento do Paraná.     
     Uma senhora do Tribunal de Contas do Paraná falou um pouco do ICMS ecológico que é repassado aos municípios.  Há uma lei estadual que determina que parte desse ICMS ecológico quando recebido por municípios que tem comunidades indígenas, tem que ser repassado para o bem estar dessas comunidades.   Em seguida foi dito que houve uma ADIN Ação Direta de Inconstitucionalidade e que essa lei estaria suspensa.
     Foi dito em plenário sobre as áreas mais preservadas no Brasil (florestas preservadas).   Em áreas indígenas, com apenas 0,5% das áreas desmatadas para moradias e o restante preservado – primeiro lugar em preservação.  Em segundo lugar as áreas dos Parques Ecológicos; em terceiro lugar, as áreas de Reforma Agrária ocupadas pelos que lutam pela posse da terra.
     No plenário surgiu a pergunta para reflexão – Se no BR há políticas públicas para atender a pobreza, por que não ter para atender também os indígenas?
     Para mostrar a falta de informação e a discriminação contra os índios, as lideranças em prol da causa destes estava articulando para conseguir a construção da Casa de Passagem para abrigar na cidade os índios que passam por lá, inclusive na lida das vendas dos artesanatos.   Um representante da imprensa local teria abordado as lideranças e dito:   Não fomos consultados se queremos ou não ter aqui no município uma Casa de Passagem.    E a liderança trouxe para a reflexão:    Se fosse articulação para a construção de um clube para a cultura germânica na região, certamente eles não precisariam consultar a comunidade para saber dos prós e contras.  
     Consta que aqui no Paraná há lideranças querendo que se remova os índios que estão acampados na luta pela terra no Oeste do estado para a Ilha Grande, na divisa do Paraná com Mato Grosso do Sul.  Ilha do Rio Paraná.     A FUNAI e os índios não vêem isso como solução do problema.   
     Fala do Dr.Luis Eduardo Bueno - Sobre o descalabro em relação aos índios, foi dito que faz aproximadamente um ano que mataram um cacique indígena no MS e até agora as autoridades responsáveis não acharam nem o corpo do cacique.  Nem se fala das outras providências que deveriam ser tomadas.   Descaso.
     Lembrado que a Hidrelétrica de Itaipu é bi-nacional e poderia dar uma atenção para os índios da região, tanto do lado brasileiro como paraguaio.  Inclusive dito que do lado paraguaio os índios também estão em situação de miséria.     Terras indígenas foram alagadas em grande escala pela barragem.
     Foi feito um alerta sobre a PEC 215 que é altamente nociva às demarcações – dificultariam as mesmas se for aprovada.     Também o novo Marco da Mineração seria muito nocivo aos indígenas brasileiros.

     Isto foi o que consegui anotar.   Espero ter captado de forma razoável as mensagens e a intenção é que os dados sejam úteis a quem se interessa pela causa.

             orlando_lisboa@terra.com.br











quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

OS CARTAZES DAS DOZE SEDES DA COPA DO MUNDO 2014 NO BRASIL


Autor:  Orlando Lisboa de Almeida

     Este artigo pretende levar alguma informação ou mesmo abordar aspectos peculiares de cada região do Brasil que vai receber jogos da Copa do Mundo 2014 de Futebol.
     As doze sedes (capitais de estados) são: Natal, Salvador, Brasilia, Cuiabá, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife e Manaus.
     Tendo em vista que muitas pessoas de várias partes do mundo estão procurando na internet dados sobre a Copa do Mundo no Brasil, vou tentar falar um pouco sobre cada sede e a relação que há entre cada cidade-sede e os desenhos dos Cartazes que estas escolheram para representá-las.       A costa do Brasil com o Oceano Atlântico deve ter ao redor de sete mil quilômetros de Norte a Sul.    As cidades sede ficam nas regiões mais populosas, sendo que a maioria destas está na orla do mar.  São os casos, na ordem de Norte a Sul,  de Fortaleza, Recife, Natal, Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
     Próximas da costa marítima estão as cidades de São Paulo , a mais populosa do País e Curitiba.  Mais para o interior do País vem Belo Horizonte, depois Brasilia (capital federal) que fica no centro do Brasil.    Na região Oeste temos Cuiabá e no Norte, na vasta planície da Amazonia brasileira está Manaus.
     O que cada Cartaz destacou sobre a respectiva cidade sede pelo que eu vi e que entendi que merece comentário na busca de esclarecer:
     Fortaleza -  Cidade que tem praia.   No Cartaz há elementos de praia, edifícios e o estádio onde serão os jogos da Copa.
     Recife -   No cartaz, um dançarino de frevo que é uma dança típica da região.  Na mão, um pequeno guarda chuva específico para a coreografia da dança do frevo e no pé a bola de futebol.
     Natal – No cartaz, um goleiro do futebol e a bola, ambos estilizados.
     Salvador – O elevador Lacerda, uma obra histórica que é um ícone da cidade.  Estilizado no cartaz como um canto da trave do gol, com rede e uma bola no ângulo.  Muito criativo no meu ponto de vista.
     Rio de Janeiro -  Estilizados a cabeça de um atleta do futebol com a bola e sobre elas, relevos que lembram o morro do Corcovado e o Pão de Açucar, este que abriga a estátua do Cristo Redentor que é o ícone do RJ.   Não fica muito clara essa representação para o grande público.
     Porto Alegre -  Estilizado, um pé de jogador de futebol com sua chuteira.  Chão com elementos estilizados.  No canto, um prédio histórico da cidade de Porto Alegre.
     São Paulo -   Um close da metrópole com seus edifícios e um ângulo de visão de baixo para cima, sendo que na posição celeste, uma bola de futebol estilizada nas cores azul clara e branca.
     Curitiba -    (cidade onde resido)  Uma árvore chamada Araucária estilizada, tendo nas pontas dos galhos, no lugar dos frutos, bolas de futebol.    Os frutos da araucária são de médio porte (diâmetro em torno de 20 cm) e dentro destes, os pinhões que são as sementes comestíveis muito apreciadas.
     Belo Horizonte -   Pássaros coloridos (cor nacional e do estado de Minas Gerais) e a igreja de São Francisco, uma das obras do nosso arquiteto maior, Oscar Niemeyer.  Ao fundo, o estádio do Mineirão que será o palco local dos jogos da Copa.
     Brasilia -  A catedral de Brasilia estilizada e um jogador de futebol em posição de chutar a bola.   A Catedral de Brasilia também é obra do Arquiteto Oscar Niemeyer.
     Manaus -   Uma trave de futebol estilizada, destacando o ângulo da trave e no lugar da “coruja” (ave)  que costuma pousar na trave quando não há jogos, um casal de Araras vermelhas, aves de destaque na fauna da Amazônia brasileira.   Mais um belo e criativo Cartaz, por sinal.
     Cuiabá -    Um dos destaques é a ave chamada de Tuiuiú que é um símbolo da região do Pantanal.    Também entre outros elementos, aparece uma bola de futebol e nela o desenho do mapa do estado do Mato Grosso.

OBS:   Para ver os Cartazes, acessar:  https://www.google.com.br/search?q=cartazes+das+cidades+sede+da+copa+2014&rlz=1C1FMRB_enBR496BR520&espv=210&es_sm=122&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=v-OpUs-dGNTMsATK0oDICw&ved=0CDsQsAQ&biw=1350&bih=614    

terça-feira, 19 de novembro de 2013

BALNEÁRIO CAMBORIU - SC NO FERIADO DE XV DE NOVEMBRO-13




                                     fotos nossas

     A distância de Curitiba-PR até o Balneário de Camboriu-SC fica ao redor de 250 km pela rodovia BR 101.     A estrada está praticamente duplicada no trecho, mas ainda há obras em algumas pontes (duas ou três) e nesses lugares, em feriadão, a coisa fica bastante morosa.    Mesmo sabendo da proeza, como fazia algum tempo que não íamos para aquelas bandas, combinamos com nossos compadres e fomos passar o feriado que caiu na sexta e que emendamos com o fim de semana, com retorno na segunda feira.
     Na ida na sexta, colocamos o carro na estrada as quatro da matina, mas ao ir chegando à BR na periferia de Curitiba o trânsito já estava intenso e lento.      Durante o trecho, antes da divisa PR-SC já pegamos um congestionamento que durou mais de uma hora parado.    E assim foi, com parada e lentidão principalmente em obras de duplicação de umas duas ou três pontes no trecho.    Lembrar que já faz tempo que a estrada no trecho está duplicada e não dá para entender por que ainda as pontes tão estreitas que são, ainda não tinham sido duplicadas.    Mas o fato que seis horas depois da saida, lá estávamos nós dando entrada no apartamento em Balneário Camboriu-SC.   
     Pegamos um fim de semana sem chuva, com algum sol e tempo quase sempre nublado.   A água do mar estava um bocadinho fria, mas havia gente de monte curtindo a cidade e a faixa de areia da praia, já que entrar no mar estava para os "fortes".    Sempre tem aqueles que encaram a água como está e pronto.
     Num dos dias, além da praia em si, fizemos uma caminhada no sentido norte da praia onde entre o morro e o mar há uma passarela de madeira bem construida, através da qual dá para chegar à pequena Praia do Buraco.    A praia é muito bonita, água limpa, areia grossa e ondas um pouco fortes, mas que dá para encarar.    Havia pouca gente por lá porque a caminhada não era pequena.
     A vista da passarela é muito linda.    Na praia do Buraco tem um Resort grande e encravado no meio da mata atlântica, com acesso à praia.
     Boa caminhada, várias fotos e depois voltar para o almoço na cidade.
     Numa outra caminhada, fomos até o final sul da praia (que tem uns sete quilômetros) onde há um trapiche relativamente novo que eu ainda não conhecia.   As vezes anteriores que por lá estive ainda não havia o tal trapiche que é  bonito e do qual também há uma bela vista da cidade e do mar.
     No dia da volta, novo congestionamento, mesmo voltando na segundona "braba", depois de passado o feriado.   Acho que muitos pensaram como nós e ficamos na "linha burra".   Foram seis horas também na volta, só que desta vez fizemos um desvio em Joinville, pegando à esquerda a estrada que sobe a serra rumo a Dona Francisca no rumo de Rio Negrinho.    Antes desta cidade, rumamos à direita e saimos pela região de Araucária e viemos tornar a Curitiba sãos e salvos.     Foi um belo passeio, tendo como companhia nosso casal de Compadres Antonio Carlos e Cida Mariani.     Valeu a pena!

sábado, 9 de novembro de 2013

LEMBRANÇAS DAS ANDANÇAS DO AGRÔNOMO (1978)



                              o crédito da foto:  site abaixo


  Esta eu já devo ter "documentado" nos meus contos mas vou dizer resumido.  No tempo de Banco Mercantil de São Paulo, sediado em Umuarama - PR, eu fazia de vez em quando, visitas à ag.de Navirai-MS e eram 147 km de terra com duas balsas, a do Porto Tigre e a do Porto Caiuá.   E lá depois das balsas, um punhado de km de planície com umas sete pontes de madeira.   Estrada larga, plana e coberta com pedras de rio que são redondas e lisas.  Um dia, passando por uma das pontes estreitas de madeira, vi que tinha um carro caido lá no buraco.   Chegando em Navirai comentei e me disseram.      Hah, foi o besta do fulano.  Foi assim:   O Sicrano comprou um carro zero em Umuarama e levou o Fulano junto para voltar dirigindo o carro velho.  E assim a coisa estava rodando.   Mas o fulano do carro velho se cansou de comer poeira e, amigo que era do Sicrano, ficou naquela.  Quando ele bambear no acelerador, eu podo ele.    E logo veio uma ponte e o motorista do carro novo "bambeou" no acelerador e o outro...  FUIIIIII!!!    Foi mesmo.  Foi parar debaixo da ponte estreita.   Como diria o Chicó:   Só sei que foi assim.     (essa eu vi)     Orlando Lisboa de Almeida.

DICAS CASEIRAS PARA CURAR QUASE TUDO (HUMOR)

O que é bão pra afta? - Pra acabar com ela, acho que de caseiro assim é bicarbonato, se ainda existe em casa. Cuidado com o "acho". 
Intestino solto? - Um chá de folha de goiaba, mas Acho que tem que tomar cuidado para não mascarar algo mais "compricado". Cuidado com o Acho.
Intestino preso? Essa é moleza pra quem gosta de ameixa preta. Tiro e queda. Cuidado com o Acho.
Estambo embruiado - di novo, vê se tem bicarbonato ali no meio dos potinhos de tempero! - Cuidado com o Acho.
Perda de cabelo? - Nessa tiro um dez com louvor. Caixa de forfe. Cada cabelo que cai a gente coloca na caixa de forfe e não perde um! !!!!!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

RESENHA DO LIVRO - A VIDA QUE NINGUÉM VÊ



            crédito da foto:  http://en.wikipedia.org/wiki/Porto_Alegre


RESENHA DO LIVRO -  A VIDA QUE NINGUÉM VÊ

Autora do livro:   Jornalista Eliane Brum       (editora Arquipélago – 2006)

Quem fez a resenha:   Orlando Lisboa de Almeida (sem uma técnica definida)

     Como costumo lembrar, gosto da leitura e tenho o hábito de, paralelamente, ir fazendo uma resenha daquilo que mais me tocou na obra para poder partilhar com amigos que gostam de ler.    Então fica assim como um “petisco” para convidar a pessoa a procurar o livro e ir fundo no texto, lendo tudo na íntegra.
     O livro antes foi elaborado em crônicas editadas no jornal Zero Hora de Porto Alegre e foi premiado com o Prêmio Esso – Regional Sul e depois o livro recebeu em 2007 o Prêmio Jabuti na modalidade reportagem.    A jornalista é fera no ramo.
     Fez uma série de crônicas tiradas “das ruas” de Porto Alegre, mas tudo isso tem algo de transcendente como poderemos ver adiante.
     Página 14 -   O do prefácio.....  “ máxima de que, em jornalismo, a história só existe quando o homem é que morde o cachorro”.     Os textos dela  mostram que nem sempre é assim.
     42 – Bela crônica sobre  o demente Geppe Coppini de Anta Gorda-RS.  Muitas reflexões sobre as pessoas “normais” e as que são vistas como nem tanto.
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     54 – “Há duas maneiras de visitar um zoológico: com ou sem inocência.”   Fala da liberdade, da condição humana, etc.
     56 – “A revelação dessa visita subversiva ao zoológico é que, no cativeiro, os animais se humanizam.   O cárcere lhes arranca a vida, o desejo e a busca”.
     “E mais e mais vão se parecendo com os homens que os procuram na certeza de um álibi.  Perigosa é a pergunta.   O que aconteceria se você encontrasse a chave do cadeado invisível da sua vida?”
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      79 – O menino Salatiel, vulgo Tierri.    “ E desde novo notou-se nele uma cabeça boa para as coisas do coração, desapegada das praticidades da vida.”
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     106 – Outra crônica, outro personagem...
     “Se fosse levar a sério, descobriria  que é analfabeto.  Como decidiu que a distância entre a realidade e a liberdade é um cabo de vassoura...”
      (o rapaz, adulto, anda de cavalinho de pau pela Expointer do RS há anos seguidos)
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     126 – Sobre a menina pedinte nas ruas
     “Você, que paga seus impostos em dia, colabora com a campanha do agasalho, que é um cara até bacana.  Subitamente transformado em réu no tribunal do sinal fechado por um rosto ranhento de criança.”
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     136 – Mãe pobre do interior, analfabeta, vários filhos pequenos, que deixa o marido (após convidá-lo para migrar) indo para a cidade grande na busca de aprender ler.
     Na entrevista com a autora deste livro:
     “ – Depois de ler a folhinha da igreja, o que a senhora quer ler?
     - Eu quero ler em quem eu vou votar.  Até agora fui pelos outros.   Agora, quero ler, analisar e votar.”          A da frase:   Maria Alicia de Freitas, 55 anos.
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     137 – O Velhinho dos comerciais de TV   (David Dubin – judeu polonês)
     Vive a muitos anos em Porto Alegre e escapou do holocausto.   Uma história de vida e tanto.
     “... David descobriu que sua família não havia sido morta pelos nazistas.  Eles haviam sido apenas os mandantes.  Sua família foi morta pelos melhores amigos, pelos vizinhos de porta.   Pelos ucranianos e lituanos que dividiam o seu bairro miserável”
      (cidade de Pinsk, Polônia)
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     158 -  Sobre um velho álbum de fotos achado na rua jogado.
     “É um álbum desordenado, todo ele.  Como são as vidas.  Essa é, em parte, a diferença entre a vida e a literatura, onde os personagens, por mais irreverentes, fazem todos um sentido  na trama.  Na vida, não.”
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     188 – A autora refletindo sobre a vida e obra
     “Quem consegue olhar para a própria vida com generosidade torna-se capaz de alcançar a vida do outro.  Olhar é um exercício cotidiano de resistência.”
     190 – Ela cita como exemplo de jornalismo, Gay Talese, o Papa do Jornalismo.
     191 – Sobre a profissão de repórter:
     “É preciso calar para ser capaz de escutar o silêncio.  Olhar significa sentir o cheiro, tocar as diferentes texturas, perceber os gestos, as hesitações, os detalhes, apreender as outras expressões do que somos.   Metade (talvez menos) de uma reportagem é o dito,  a outra metade o percebido.   Olhar é um ato de silêncio.”

     Espero não estar infringindo nenhuma norma legal socializando o material acima com o único intuito de incentivar a leitura da obra toda.   Abraço aos leitores

domingo, 29 de setembro de 2013

ESTUDANTES DO VISCONDÃO NA CÂMARA DE MAUÁ (1968)

CRÔNICA DE MAUÁ E SUA GENTE III NOBRES VEREADORES Autor: Orlando Lisboa de Almeida Era por volta de 1967, 68 e nós estávamos no colegial no Viscondão. Na volta pra casa, todo mundo à pé, passada obrigatória ao menos pela porta do sagrado Bar ABC que ainda está firme e forte em Mauá-SP. O firme e forte fica por conta do saudosismo pois quem pode dizer isso de cadeira é quem freqüenta a casa nos dias atuais e ninguém mais. Sexta feira era quase certo um pit stop lá no Bar ABC para tomar uma cervejinha, jogar uma conversa fora e se divertir um bocadinho. E bar é bar, curva de rio onde passa e enrosca de tudo. Pois era comum até os nobres edis, os vereadores da cidade, após as sessões da Câmara, que ficava numa sobreloja bem perto da porteira da estação e mais perto ainda do Bar ABC, fazerem uma paradinha estratégica por lá. Conversa vai, conversa vem e de vez em quando a turminha se via misturada até com a prosa dos vereadores. Gente simples, povo como o povo que botou os homens lá na vereança. Um belo dia ou melhor, uma bela noite, os vereadores disseram algo como: Vocês são estudantes, já tem conhecimento de muitas coisas, poderiam ir de vez em quando assistir a algumas sessões na Câmara. Será uma satisfação para nós da Casa. Tinha lá até o Dito Loiola, mineiro, velho vereador que me parece que era tio de um amigo nosso da família Putini. Chamavam ele de Dito Gaiola na surdina do boteco. Mas esse não freqüentava o boteco, até porque era bem idoso e até brincavam de dizer que era quem mais fazia barulho na Câmara, ao cochilar e cair no chão... Era uma pessoa simples mas muito respeitado, muito íntegro. Pois chegou uma noite que a turminha resolveu subir os trinta degraus da escadaria para assistir uma sessão. Um deles bate uma sineta solene, três na mesa, Presidente, acho que um vice e o secretário. – Declaro aberta a Sessão! E nós lá. O presidente saúda os presentes e pede ao secretário para ler a ordem do dia: - Senhor Presidente, Senhores Vereadores, público presente. Recebemos aqui um ofício informando que faleceu o Dr. Fulano de Tal, cidadão de destaque no nosso município. O Presidente declarou em seguida: Em homenagem ao nobre cidadão Fulano de Tal, em sinal de luto oficial, declaro encerrada a Sessão. Bateu no sino e tchau!!! Como diria o personagem Chicó: “Só sei que foi assim”. Sessão II Um dia, passado um bocadinho de tempo, voltamos à Câmara para novo banho de iniciação à cidadania, afinal todo jovem tem o ímpeto de fazer um mundo melhor. E achamos curioso que a sessão foi aberta e desta vez a coisa engrenou. Aberta a sessão, começaram as votações dos projetos da pauta. Coisas de pouca monta, tipo nomes de rua, remanejamento de verbas no orçamento do município e por aí afora. O curioso é que o rito era meio assim: Projeto de lei número XXX referente alhos e bugalhos. Em discussão.... em votação.... (bate o martelo ou sino) .... aprovado. E nós lá sem entender. Não vimos discussão, não vimos votação e só vimos a marretada final: Aprovado. Depois fomos saber que os assuntos já tinham sido “exaustivamente” analisados, sopesados, destrinchados pelos vereadores e já havia acordo sobre os votos. E os votos eram sempre: Quem é à favor, permaneça como está (sentado) e quem for contra, favor se manifestar (ficar em pé). Todo mundo sentadinho, tudo aprovadinho sem afogadilho. E assim começamos nossos primeiros passos rumo à cidadania. Temos que arregaçar as mangas e ir pra peleja pois escrevemos a história ou alguém está escrevendo por nós.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

UM CASO DE RESPONSABILIDADE SOCIAL CONHECIDO "IN LOCO"


                                   
foto enviada pelos amigos da Fartura

UM CASO DE RESPONSABILIDADE SOCIAL CONHECIDO "IN LOCO". Em Colorado-PR.

Para início de conversa, costumo dizer, com base nas mais de quatro décadas de serviços ao longo da carreira, que em geral uma Pessoa Jurídica tende a ser ética na medida que as PF Pessoas Físicas que a comanda são pessoas íntegras e que seguem os preceitos da ética.
Vou falar (e falar bem!) de uma micro empresa que pratica Responsabilidade Sócio Ambiental e digo isso com conhecimento de causa por ter pisado no chão daquela "fábrica" uma porção de vezes. Falo da empresa FARTURA, que presta assessoria técnica agronômica em alto nível para produtores rurais, principalmente focada na pecuária bovina de forma racional, cuidando muito bem do solo, dos animais, do meio ambiente e das pessoas envolvidas no setor. Essa pequena empresa que tem à frente profissionais de Engenharia Agronômica, sempre em parceria com Universidades (UFPr, UEM), vem montando campo de demonstração de tecnologia que dá certo, é rentável e Sustentável no sentido pleno do termo. E tem um detalhe que fala mais de perto sobre a visão de futuro da Fartura. Na propriedade (uma propriedade rural familiar) da família, onde utilizam a área inclusive para irradiar o conhecimento para seus clientes, contam com áreas de lavouras, de gado de leite, áreas de preservação florestal e horta em estufa. São em torno de três famílias que tiram o sustento como colaboradores no sítio. Os empregados cuidam das atividades de rotina da propriedade e os empreendedores, visando criar uma atividade que ocupasse a mão de obra das mulheres que vivem na propriedade, criaram um conjunto de estufas para produção de hortaliça irrigada em ambiente protegido. Os colaboradores locais literalmente vestem a camisa da empresa, usando inclusive uniforme adequado ao ramo. Trabalham dentro dos preceitos da Sustentabilidade, auferem renda, vivem uma vida digna e mostram estampado no rosto a satisfação de desempenhar atividades agropecuárias respeitando o meio ambiente e servindo inclusive de exemplo de que é possível produzir, sobreviver com dignidade e respeitar o meio ambiente. Bola super branca à Equipe da Fartura 
     Em tempo:

O Sítio fica na margem da rodovia asfaltada que liga Colorado-PR a Santo Inácio-PR

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

ENGAVETAMENTO DE CARROS EM SÃO LUIZ DO PURUNÃ (PR)



RISCO ANUNCIADO - ENGAVETAMENTO DE CARROS - SÃO LUIZ DO PURUNÃ.      17-09-13

 São Luiz do Purunã é um distrito do município de Campo Largo, que fica próximo à rodovia que liga Curitiba ao Norte do Paraná. Pois bem. Nesse local tem uma Serra e por conta dessa serra, SEMPRE há neblina na rodovia. O risco de ser serra (sinuosa) e o risco da neblina. Pois bem. Foi exatamente nesse PONTO CULMINANTE que o pessoal colocou uma PRAÇA DE PEDÁGIO. Quanta gente passa por lá todo dia e sabe do risco que é o local mesmo que não houvesse a praça de pedágio. Imagina então a temeridade que foi colocarem justo lá, há tanto tempo, uma praça de pedágio. TINHA QUE SER LOGO NAQUELE PONTO??? Vejam os dados de altitude da região: Curitiba - 934 m; Campo Largo - 956 m; POVOADO DE SÃO LUIZ DO PURUNÃ - 1.270 M (Dados do google); Ponta Grossa - 970 m. Ou seja, sobe-se a serra em São Luiz do Purunã (onde há neblina) e depois desce de novo quase tudo rumo a Ponta Grossa. RESUMO DA ÓPERA: UMA ENGENHARIA BÁSICA DIRIA QUE LÁ É UM LUGAR IDEAL PARA "NÃO" SE COLOCAR UMA PRAÇA DE PEDÁGIO. É apenas uma opinião.

sábado, 14 de setembro de 2013

TURISMO - FOTOS DE ALCÂNTARA -MARANHÃO (COLONIAL)

                                       
                                        Barcos que levam o turista de São Luis a Alcântara - 22 km.
                                               1 h e 20 minutos.     Fotos de Orlando L.de Almeida

 
                                    Casarão colonial com telhado protegendo a parede superior contra a ação das                                                                     chuvas   - Rua do Jacaré - centro histórico


                                       Igreja das Mercês - pequena.   Estava fechada aos visitantes


      Igreja de Nossa Senhora do Desterro - com dois sinos do lado de fora, à direita

         Casa que está para ser restaurada - nela viveu o Promotor cearense Clovis Beviláqua que escreveu livro na área do Direito nos anos 20


             Igreja de São Matias de Alcântara - feita pelos Padres Jesuitas - está em ruina, mas é um prédio de enorme valor histórico.

             

Ruina da casa do Bergman que foi lider de uma revolta local no tempo do Império


Palácio Preto - Mercado de Escravos da época colonial


Altar mor da Igreja do Carmo.  O prédio original desta igreja dataria de 1665.   Igreja aberta ao público e em uso pela comunidade - templo católico.
Uma das ruinas locais     (fotos sempre de Orlando Lisboa de Almeida)
Peça do Museu do CLA Centro de Lançamento de Alcântara.    A base mesmo fica fora da zona urbana 


Igreja do Rosário dos Pretos - a praça em frente foi um antigo cemitério de escravos.


Fotos de Orlando Lisboa de Almeida
orlando_lisboa@terra.com.br 

TURISMO EM SÃO LUIS - VISITA A ALCÂNTARA - MA (II)

  
                                                  

Foto de Orlando Lisboa de Almeida
Local: Prefeitura de Alcântara-MA  - centro colonial 

No capítulo anterior, eu fiz uma abordagem geral sobre Alcântara-MA e como chegar lá a partir de São Luis.     Neste, vamos detalhar um pouco do que vi por lá, acompanhado de um grupo de turistas com um guia local (Juca).
      O nome da cidade fundada pelo português Jerônimo de Albuquerque (1648) está relacionada a São Matias de Alcântara, que deve ser o santo do dia da fundação da cidade.  Isto era uma prática comum dos portugueses colonizadores.
     Logo após o desembarque do barco, próximo ao cais, há um pequeno Centro de Informação aos turistas com acomodações básicas e a apresentação de DVD mostrando um vídeo institucional da cidade e seus atrativos.       Não custa lembrar que (tendo ido avulso), já que cheguei, notei uma banca onde o pessoal estava colocando numa listagem o nome para o embarque da volta.   Eu tinha comprado já os bilhetes de ida e volta, mas para ficar bem garantido, deixei o nome na lista.   Deu tudo certinho.
     Logo após o desembarque, se vê em frente uma rua que sobe uma colina e esta é a principal rua da cidade colonial portuguesa.    Rua calçada com pedras e mosaicos de pedra sabão que dão um contraste pelo tipo das pedras.    A pedra sabão é de um tom cinza e por não ser tão dura, vai ficando polida e bem lisa com o tempo e talvez por isso tem o nome de pedra sabão - a cor e o fato de ser lisa.
    As soleiras das portas de muitas casas por lá tem uma peça de pedra sabão polida pelo tempo.     A grande maioria das casas históricas são térreas e usou-se muitas pedras na construção, além de outros materiais.
     Há algumas ruinas de casarões que ruiram parcialmente com o tempo e a falta de manutenção e várias delas estão previstas para serem restauradas.   Uma delas, à direita da Rua do Jacaré  (a rua principal já citada), foi o casarão com um andar onde morou o promotor e jurista Clovis Bevilaqua (natural de Viçosa-CE) que inclusive publicou no início do século XX um livro na área do Direito.
     Por que rua do Jacaré?    É que no tempo da lamparina, antes da eletricidade, o querosene que queimava nas lamparinas para clarear as casas vinha de barco e subia em latas ladeira acima.   Querosene da marca Jacaré (da Esso).    E tinha o jacaré estampado na lata.
      A cor da água do mar no percurso é diferente do mar aberto e seria, segundo o guia, por conta da foz de dois rios que desaguam no mar nessa região e as águas demoram para se misturar até pelas diferentes características.    (Rio Itapecuru e Rio Mearim)
     CAPELA DAS MERCÊS   (1803)    Em destaque no final da subida da rua do Jacaré.  Uma igreja pequena, quadrada, telhado em quatro "águas", pintada de branco com detalhes em azul.   A igreja estava fechada e tinha tapumes por dentro das janelas de forma que não dava nem para espiar os altares pelas frestas.    Ficamos na curiosidade.
     IGREJA DE NOSSA SRA.DO DESTERRO  (de 1714) -  (A dos sinos do lado de fora)   -  Também só vista por fora.  Fica logo à direita da Capela das Mercês para quem sobe a ladeira.     A vista do mar no local é muito bonita e se vê inclusive uma ilha próxima com bela praia.     Diferente do que já vi, os dois sinos ficam num espaldar (tipo portal) do lado da igreja e dá para alcançar com a mão o badalo dos sinos.    Disse o guia que o pessoal do lugar, ao querer "descasar", batem três vezes no sino maior e pronto!  Está descasado.  E se quer formalizar nova união, duas badaladas no sino menor e pronto!  Está casado com a outra.  Simples assim!
     PRÉDIO DA ANTIGA CADEIA - HOJE PREFEITURA   -   Uma construção bem típica, com um andar, ampla, do lado direito da praça da matriz.    Mantem as grades nas janelas até para preservar o seu valor histórico.     O guia brincou que lá no tempo de cadeia, era povoada pelos bandidos e agora como prefeitura, com os políticos.... não mudou nada.     Guia bem humorado é sucesso dobrado.
     RUINA DA IGREJA FEITA PELOS JESUITAS -  IGREJA DE SÃO MATIAS DE ALCÂNTARA -  É certamente, no centro da praça principal, o mais destacado prédio do período colonial português local.   Tem em frente um pelourinho (para punir escravos) feito em mármore com detalhes em relevo.     A igreja é feita principalmente com pedras, paredes largas, construção sólida.    Por falta de manutenção, desabou aproximadamente dois terços da obra, mas a fachada frontal está inteira e é muito imponente.     Deve ser do século XVII.  (1648) 
     Segundo o guia, a atriz Marieta Severo e o staff da Globo gravaram cena nessa praça para a novela Da Cor do Pecado.
     Logo à esquerda, na travessa da praça, o casarão onde morou o poeta Souza Andrade.   Formado em Letras em Sorbonne na França e fez Engenharia de Mina no exterior.     Deixou obras editadas.
     RUINAS DOS PALACETES DOS BARÕES  -  Barão de São Bento e Barão de Mearim.   Consta que ambos eram rivais e esperavam a visita do Imperador do Brasil à cidade e cada um tentou fazer um Palacete mais amplo e luxuoso pensando em assim conquistar a primazia de receber o Monarca.   Visita que nunca se efetivou inclusive pela disputa e pela decadência da economia local no século XIX.
     MUSEU - NA CASA ONDE FOI DO BARÃO DE SÃO BENTO  -   Fica do lado esquerdo da praça e vale a pena uma visita com calma.  Lá tem guias específicos do Museu que explicam as peças do acervo e assim dá para entender um pouco de como vivia a nobreza local na época.   Louças, prataria, utensílios domésticos, quadros com retratos pintados a óleo e muito mais.
     Das peças do museu a que mais curiosa eu achei foram uns ferros de mais ou menos 1,20 m de altura, com um semi arco na ponta.   Seria para os nobres, ao assistirem alguma festa na praça, poderem apoiar o cotovelo no suporte, para descanso na posição em pé.    
     Citado pelo guia que Josué Montelo, filho ilustre do Maranhão, entre outras obras, deixou escrito o livro  "A Noite sobre Alcântara".      Um dos turistas falou que desse autor há outra obra curiosa sobre a cultura popular do Maranhão:   "Os Tambores de São Luis" - dica do professor Sergio (de Educação Física), paranaense que está trabalhando no Maranhão.
     BASE DE LANÇAMENTO DE FOGUETES DE ALCÂNTARA -   Fica afastada do centro histórico e o que se visita é um local ao lado da Igreja do Rosário dos Pretos.   No local é um pequeno Museu da Base e eles passam um vídeo institucional sobre a mesma.   Local com poltronas e ar condicionado.
     PALÁCIO PRETO -   Ruina do que foi o Mercado de Escravos.    Prédio de pedras, imponente, cujas paredes resistiram a ação do tempo. 
     IGREJA DO CARMO -  Data de 1665.    Está em atividade como igreja, é aberta à visitação pública. Tem por dentro, no piso e em certos lugares das paredes, os restos mortais de nobres e religiosos do passado do lugar.     Fotografei uma lápide onde estava escrito entre outras homenagens, que fulana e ciclana "Morreram Donzelas" aos sessenta e poucos anos de idade.
     RUINA DO CONVENTO DAS CARMELITAS -  É enorme e fica anexo, do lado direito da Igreja do Carmo.   Das paredes deste sobraram parte com altura média de um a dois metros.   Impressiona pelo tamanho que tinha o convento.  
     IGREJA DO ROSÁRIO DOS PRETOS -   Em atividade, muito bem conservada, com o galinho português na ponta da torre, toda pintada de branco.    A pracinha da frente da igreja está num local onde teria sido, segundo o guia, um cemitério de escravos.
     As visitas em geral ficam restritas à área histórica e não vimos a parte do comércio local.   Assim sendo, não soube se há no centro comercial restaurantes um pouco mais completos para atender os turistas e nem uma visão do dia-a-dia do povo local.     Mas o passeio foi muito interessante.   

     orlando_lisboa@terra.com.br