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sábado, 21 de novembro de 2009

GAFE NÃO TEM DIA NEM HORA

Nesta semana (hoje é sábado, 21-11-09) eu estava num evento técnico num assunto da minha praia, envolvendo conservação de grãos armazenados, aqui num hotel de Maringá-PR. Havia na platéia colegas dos estados do PR, SP, MG, ES, RS e alguns do Paraguai, que também vem crescendo bastante na produção de grãos.
No comando do evento, um engenheiro argentino radicado em Maringá, que percebeu há tempo que havia um nicho de mercado e montou uma empresa de consultoria na área de conservação de grãos armazenados. Anualmente a empresa faz um seminário técnico, além de editar trimestralmente uma revista muito bem elaborada no tema. Agora que o cenário já está montado, vamos à gafe.
Um dos palestrantes, de alto nível, de forma muito descontraída ia discorrendo sobre seu tema diante de um datashow que projetava na tela o roteiro da sua fala. Para apoiar a palestra, a canetinha laser para indicar detalhes na tela. Eis que a dita cuja canetinha começou a falhar e o palestrante me sai com esta:
- É! Eu comprei uma canetinha paraguaia e deu no que deu!!
- O anfitrião que é argentino e sabia de todos os convidados, de forma polida e descontraida lembrou ao palestrante que entre nossos convidados havia paraguaios. Restou ao palestrante a elegante medida de pedir desculpas e tocar o barco pra frente. Coisas da vida!

sábado, 7 de novembro de 2009

EXPLOSÃO (Poesia)

Autor: Orlando Lisboa de Almeida


Trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho
Salário, salário, salário, salário
Lucro, lucro, lucro, lucro, lucro
Renda concentrada
Miséria espalhada

Campo todo desabitado
Centro urbano apinhado
Gente sem oportunidade
Vagando pela cidade
Num perambular sem fim

A miséria subiu o morro
Todo mundo viu e fez que não viu
A miséria anda ameaçando descer
Como vulcão inativo a renascer.

Patrimônio depredado
Vidro despedaçado
Povo apavorado
Povo despreparado.

Reprimam com violência!
É o clamor da platéia
Como se a panacéia
Fosse dar duro na conseqüência

Nas causas, ninguém pensou,
A história, ninguém ouviu,
A lição, ninguém seguiu
E o previsível, ninguém previu.

Surgem perguntas no ar:
- O que foi que aconteceu?
- O povo se corrompeu?
- Perdeu a vergonha de vez?

Injustiça, opressão
Falta de religião
Overdose de concentração
Estourou a boca do balão.



Agora, não adianta chorar
Pois o leite derramou
E só há uma solução:

Buscar as causas do mal
E tomar posição ativa
Pois a postura passiva
Nos levou pro vendaval.



(PS - escrevi esta poesia quando, há décadas, os morros do Rio ainda estavam em paz em relação ao momento atual. Era por volta de 1992. Ao transpor a poesia para o Blog, perdi algo que era importante no texto em Word, que era a expressão trabalho, com tipos de formas crescentes para dar sentido de mais e mais trabalho e a expressão salário, que de tipo maior de letra, vai se reduzindo para letras miudas, no sentido de minguar o salário).

VIDA (Poesia)

Autor – Orlando Lisboa de Almeida


Voar como pluma
Planando no espaço
Girando sem rumo
No imenso do ar


Vagar como alma
Pesada por terra
Carregando a carcaça
Sem se entregar


Gritar pelo mundo
Num gemido surdo
Em terra de lobos,
Sem pai nem irmão


Viver pelejando
Levando no peito
A tarefa do eito
Sem rumo qualquer


Um drama danado
Esse raio de vida
Essa dor dolorida
Chamada viver.

E O MORTO CHIOU... E CHIOU PACAS!!!!!

(tio Alberto que o diga!!!!)

Contista amador Orlando Lisboa de Almeida

Um dos mais proeminentes filósofos da TV brasileira do século XX, com todo deu gabarito, chamado Helio Rubens já dizia e eu repito: - Eu aumento mas não invento.
Vamos aos fatos. Melhor dizendo, vamos à versão que vou dar aos fatos, porque o folclórico José Maria Alkmin, político mineiro dizia que em política não existem os fatos. Existem as versões. Talvez cada versão fosse de acordo com o interesse de momento e da pessoa.
Numa pequena cidade perto de Ourizona-PR, onde se planta muito milho chamado de safrinha, por ser plantado depois da colheita da safra normal, de verão, ocorreu um fato embaraçoso, ao menos ao colega que teve que enfrentar a barra junto ao morto maroto. Eis que um banco tinha um cliente que abriu uma prosaica continha em nome dele e do filho, só deixando de lado o “esprito” santo, que não é dado a ficar por aí neste mundão secular se importando com o vil metal.
O lavrador abriu a conta e, pequeno agricultor, pouco tinha para movimentar a tal conta. Até o dia em que o dito cujo virou “de cujus” e foi pro além. Foi, mas deixou seu filho, também agricultor.
O banco, sabendo da morte do agricultor, tratou de dar um “comando” no computador, para dar baixa no nome do falecido. Por um desses lapsos da vida, acabou dando baixa também no tal segundo titular, o filho, que assim passou à desconfortável condição de morto. Aí começou a bronca.
Um belo dia, depois de tempos da morte do velho e sem grana para movimentar a conta, o agricultor recebeu uma tal ordem de pagamento que entrou na sua conta. Sem talão de cheque, vai faceiro ao banco buscar um talão, “mode” botar a mão numa parte da graninha. Sua alegria durou pouco, ao ficar sabendo que lá no banco constava que ele estava mortinho da silva, fazia algum tempo. Assim morto, não poderia pegar talão, sacar dinheiro e coisa e tal. Nem precisa dizer que o homem, que já era de hábito bastante ranzinza, ficou uma fera. Não sei se rugia ou babava, porque eu não estava lá para ver e se estivesse, ia ficar bem longe pra não servir nem de testemunha.
Há um ditado segundo o qual, desgraça pouca é bobagem. Quando vem, vem de penca.
O tal agricultor resolveu falar com o gerente, o que era muito justo. O bagrinho miúdo que o atendeu, apesar de lhe explicar a falha e se desculpar e tentar encaminhar a solução, não o deixou convencido, nem conseguiu regularizar a situação para que o cliente botasse a mão na sua sagrada graninha. Ficou sabendo que o gerente tinha ido à cidade vizinha, com nome de santo cassado pelo Vaticano, pra tristeza dos corintianos. Ido por uma razão super especial. É que o representante maior do banco no estado do Paraná estava pela primeira e rara vez visitando a praça com nome de santo.
O cliente, não sei se rugindo ou babando, pegou seu corcelzinho 74 e se mandou para onde estava o tal gerente. Lá chegando, foi logo ao assunto, dizendo que o banco tinha dado ele como morto e coisa e tal e que ele estava vivo e irado e que precisava para já, de um dinheiro de sua conta. O tal gerente, com algum embaraço e muita desenvoltura ouviu o cliente e saiu com ele até sua agência para a solução do caso. Nisso, o chefão do gerente acabou sabendo do ocorrido. Ele e os demais gerentes da região que estavam em sua companhia. No mínimo, rolaria depois alguma gozação. Nunca o chefão vem na casa da gente e quando vem, na hora da foto, uma baita queimada de filme dessas. Mas o caso não ficou só nisso, pois o artista ainda não sacou seu dinheiro.
Chegando na agência, gerente e cliente, constata-se que tinha que dar alguns comandos novos no computador para que este passasse a reconhecer que o cliente estava vivo. Depois disso, era encaminhar o cliente à máquina de imprimir talão, conseguir um talão, sacar o dinheiro e pronto. Bem que assim fosse. Pois na hora de imprimir o talão deu um “tilt” na máquina, como diz a meninada e cadê de sair o talão. O cliente ferveu um pouco mais, mas estava perto da grana e de gerente a tiracolo. Foi em outra máquina e conseguiu seu talão impresso a laser, novinho em folha.
O gerente, por cortesia, se ofereceu para colocar a capa no talão de cheque e grampear o conjunto, mas o cliente alegou que ele sabia fazer isso e não precisava de ajuda. Mas o famigerado grampeador estava sem grampo!!! Mais uns graus na temperatura do cliente, o grampo reabastecido, o talão grampeado, o cheque assinado e sacado, a grana no bolso e o cliente foi pra casa assim meio como ferro de passar que, mesmo depois de desligado da tomada, ainda fica tostando por algum tempo.
Essa, com certeza, nosso colega não vai esquecer tão cedo.

Maringá PR, 12 de outubro de 2002. (dia do Eng.Agrônomo)