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sábado, 11 de maio de 2013

DIALETO DE CERQUILHO - SP (E VIZINHANÇAS)


       

                                     foto acima in:  www.agroberto.com


            EU PINCHO,  VOCÊ BOLEIA, ELE BARDEIA

                    Engenheiro Agrônomo Orlando Lisboa de Almeida                maio/2003
                    (orlando_lisboa@terra.com.br)

     Uma suada graduação na USP, uma temporada de trabalho engravatado na Avenida Paulista em São Paulo, uma porção de anos de docência e um emprego público concursado por longa data longe da terrinha natal.   Nada disso tirou da gente o característico sotaque do Bairro Represa, zona rural do município de Cerquilho-SP.    Foram apenas dez anos na terrinha e toda uma vida entre a grande São Paulo e o interior do Paraná,  mas nada ofuscou o famoso sotaque que trago intacto e que é uma marca registrada entre os amigos que me conhecem ao telefone até pelo elementar alô.   
     Encaro o sotaque como parte de uma cultura que tem o seu valor, mesmo nestes dias em que muitos autênticos valores andam meio jogados para as traças.
     Um dia, comentando com um velho amigo, também colega de trabalho, que aprecia uma boa leitura e um bom bate papo, estava eu relembrando alguns termos típicos da minha terrinha e ele me recomendou um livro que tinha tudo a ver com nosso meio.   Digo nosso, porque o amigo João Francisco é paulista de Botucatu e também valoriza seu ninho.    Diz que sua terra serrana é a terra das moças da batata da perna roliça porque por lá, caminhar, é subir ou descer morro.    O físico fica em forma.
     O grande amigo JF como chamamos, recomendou que eu lesse algum livro do Francisco Marins, que retrata com muita qualidade e cores bem definidas, a vida no interior paulista com sua gente, sua política, sua economia, enfim, todo um modo de viver do interior de S.Paulo na primeira metade do século 20.    Li o livro “O Grotão do Café Amarelo” e fiquei encantado com o reencontro com muito da minha raiz e muito da raiz de tanta gente de uma vasta região.
     Tenho o hábito de, lendo por prazer, fazer algumas anotações daquilo que me chama mais a atenção.    Anoto primeiro a lápis e depois passo num caderno específico que se tornou já uma obra em três volumes, de muita estima e de um valor subjetivo enorme, ao menos para mim.    Claro que sempre citando a fonte, com todos os dados possíveis.
     Quem tiver a paciência de acompanhar alguns dos destaques que anotei e que são o supra sumo da raiz da minha terrinha, vai tomar conhecimento de um verdadeiro teste de origem.     Não conhecer quase nenhuma das expressões significa algo como ter pouco contato com gente do interior paulista.    Conhecer algumas expressões, seria algo como ter alguns amigos oriundos daquela terrinha.   Conhecer muitas das expressões locais, poderia ser sintoma de ter algum ancestral vindo de lá ou ter vivido algum tempo no interior paulista.      Conhecer a esmagadora maioria das expressões típicas é forte sintoma de ser um dos tais caipiras da sorocabana.

     Vamos às  palavras e expressões que achei que são a fina flor da terrinha:

     Tronqueira; a varanda especada; o estrepe no pé da Bidinha;
     Benzeduras; só havia ali um facultativo; é loucura se apinchar por aí;
     Sofria de amarelão;  sofria de espinhela caída; sofria de bucho virado;
     Taiuva; tuins; pintassilgo; sanhaço;
     Paçoca até que a gente come!   Gamelas; encangar duas juntas de bois;
     Abrir tora no traçador; girau;
     Guembês; hortelã; coentro; untanha; catre; gretas na parede;
     Untanha (no caso, apelido) tarraca no pé;  picuá;  borná; baixeiro; pelego;
     Roseta da espora; cafundó do Judas; peneira de taquara trançada;
     Polenta requentada na chapa do fogão de lenha  (do poiá);
     Capa de tropeiro; guaiaca; campear; cavalo marchador; cilhão;
     Porteira de varas; badana; o cavalo trocando orelhas; preá;
      Fulano bardeia alguma coisa; alimar; zagaia;  encastoar com embira;
     Cão bernento; cocão do carro de boi; fio (filho);
     Simpatia para fio macho: 
     dormir em cima do couro de onça curtido  para pegar coragem;
     Matar bugres e usar as terras;  quiçaças (uma das raras com dois ç);
     Ancorote (ou corote);  simpatia para desembuchar parto difícil:
     Carregar espingarda, dar um tiro pra cima, depois botar água no cano
     Da espingarda e em seguida dar a água pra mulher que está gorda;
     Mastro com os três santos: Antonio, João e Pedro; pau de sebo;
     Prenda; leilão; rojão de vara; buscapé;
     Bulir; capim gordura;
     Frase dos republicanos dos primórdios da nossa república:
     “Saúde e Fraternidade”
     Pinhão Paraguai;  porteira esconsa (ou esgonça);
     Azulão;  trempe do fogão; pito de barro (cachimbo);
     Caraguatá; gorda (grávida); sacos de aniagem;
     Carro de boi cantar; cabeçalho; canzil; cangas;
     Bolear; café Filipe; café incõe;
     Polainas; café crioulo; café bourbon;
     Pelego; badana; tala; rabo-de-tatu; açoiteira (suitera);
     Intendência; “com quantos paus se faz uma canoa”
     Tempo enfarruscado;  arrodear; eito; pestana (cílio);
     Grupo do bode preto; carrapatos-pólvora;  micuim;
     Homens xucros; cavalo xucro; cavalo redomão;
     Boi marruá; desenxabido; desinxavido;
     Tábuas gretadas; réstia de luz do sol;
     Tísicas; madeira lavrada; lanhar no relho;
     Mãe-de-leite; se fiar; dar uma coça; curiangos;
     Daninhar (criança daninha); picumã; bodoque; arapuca;
     Covo; pilão; cuipé; monjolo; guatambu;
     Suã de porco; tigüera; pau piúca; cacunda; jururu;
     Espeque; tramela; encasquetar; cutelo; roupa puída;
     Encafifada; tapera; a muque;
     atropelaram  (mandaram embora);
     Bule de café; sem eira nem beira;  gordura rançosa;
     Banha na lata; lingüiça no varal em cima do fogão;
     Sujeito de tutano;  puxou o pai;  borralho;
     Encasquetar; parelho (roupa);  enfaixar o nenê;
     Bulha; boi cor araçá; “luto fechado”;
     Arreliar; investir;  “que dê o toicinho daqui? “
     Negacear; cafezal de face boa do terreno;
     Ditado:  “que vão os anéis e que fiquem os dedos”
     Não arredar pé da palavra de homem;
     O fio de bigode; plantar mantimentos;
     Camaradas; sino; cerne; caieira;
     Caieirinha na cova do café novo;
     Filhote de passarinho novinho, olhos fechados;
     Virado de frango para viagem;  matula;
     Ditado:  “o café dá a casaca, mas também pode tirar
      até a camisa”
     S.Paulo com 300.000 habitantes; Santos com peste bubônica;
     Casimira;  o patrão prefere perder tudo do que se socorrer
     com os parentes da esposa;
      Rebotalho;  Índios Coroados; bordoadas;
     Tachos de cobre; assistir na casa de parentes;
     Embiras; cochar; estourar bambu na fogueira;
     Cavalo rosilho; sol de estorricar; sol de rachar mamona;
     Capado na ceva;  escuito; escuitar; gabar; gavar; jacá; balaio;
     Bardear; petrechos; cólera-morbo; arrodeia; ringindo;
     Ringindo os tamoeiros (vô Luiz);
     Saracoteios; coreto; cateretê; juá bravo; procissão; andores;
     Rescender; quá o quê!; judiação; cusarruim; aparelho de bolso;
    Binga; isqueiro; cavadeira; feijão mulatinho; cainhou;
     Fumo de corda; espingarda pica-pau; escorva;
     Estrumar; cambuiada; garrucha; presilha do lenço de boiadeiro;
     (cita uma presilha entalhada em chifre, com forma de cabeça de boi);
     maiar feijão; decoada para sabão de cinza; boticário;
     Já era escaldado; parelha de burros; coaieira; ajustar conta;
     Não  mover uma palha...; bulir; cambetear.

     Quando houver tempo e conseguir localizar, devo ler do mesmo autor:
     “... E a porteira Fechou” e  “Clarão na Serra”
    ( Francisco Marins é de Pratânia-SP e publicou vasta obra, mais de
     2 milhões de exemplares vendidos; traduzido para espanhol;
     inglês; húngaro; afrikander).
                                                                         

Um comentário:

  1. eu realmente conheço poucas!!!! e as q eu conheco foi de ouvir vc falar, hehehhe

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