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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

TROVAS - FUI PRA MARTE E JÁ VOLTEI (18122013)

TROVAS – FUI PRA MARTE E JÁ  VOLTEI   18122013

Orlando Lisboa de Almeida      orlando_lisboa@terra.com.br


Como tinha prometido
Uma certa ocasião
Sem fazer muito alarido
E  nenhuma afobação
Pra marte eu tinha partido
E já voltei pro meu chão

Chegar em Marte foi canja
O vôo foi muito reto
O caronista se arranja
E partiu muito discreto

O duro foi o acesso
A São José dos Pinhais
Pois a marcha do progresso
Está de cara “pra trais”

Botaram verba do PAC
Na mão do governador
Pra alargar com destaque
O acesso ao campo aviador

Quem duvida vá lá ver
A obra não acabada
Tem mais cone do que pista
Está um nó na estrada

Mas vamos parar de gastar
Vela com governo ruim
Vamos logo embarcar
Que Marte está pra mim

Passei por telepatia
Um recado ao marciano
Aceitando o convite
E o transporte OVNIano

O marciano da nave
Mandou logo um recado
Que eu fosse pontual
Ou não seria embarcado

Tinha nuvem no aeroporto
Mas isso era fichinha
Com que lê telepatia
Nuvem não tira farinha

Peguei na mão do marciano
Educado, coisa e tal
Minha mão logo ferveu
Quase uma brasa o da nau!

Ele me olhou com três olhos
E me deu um sorriso aberto
Sorriso de amizade
De povo bom e liberto

Apertou muitos botões
E a nave logo partiu
Subiu retinha pra cima
Tão ligeira e ninguém viu

Foi num piscar de “zóio”
A nave foi maneirando
Pousou suave e tranqüila
E vi que estava chegando

Olhei pela janelinha
E vi tudo meio rajado
Era cinza, era grafite
Redondo e quadriculado

Marciano ia e vinha
De tudo que era lado
Vinham buscando notícia
Do estranho que era chegado

Puxei o lenço do bolso
Acenei como de paz
Mas eles logo notaram
Que eu sou um bom rapaz

Me encheram de perguntas
Sobre as coisas do meu chão
Tão pequeno e tão distante
Minha Terra, meu torrão

Não sou de torcer as coisas
E tive que ser sincero
Falei que tem coisa boa
Mas tem muita nota zero

Tem até o Facebook
Uma legião de amizade
Mas o povo só reclama
De tudo na humanidade

De certeza, só a morte
Mas tem algo esquisito
Todos reclamam da sorte
Mas ninguém quer ser finito

O marciano sorriu
Dessa grande incoerência
Reclamar tanto da vida
Mas querer a permanência

Disse que cá em Marte
Tem gente alta e magrela
Gente de pele azul,
Verde musgo e amarela

Falam um porre de idiomas
Mas não há problema algum
Todo mundo se entende
Um por todos, todos por um

Quase pedi asilo
Em Marte para morar
Mas achei muito calor
E a falta de familiar

Pedi carona de volta
Trouxe até umas pedrinhas
Para guardar de lembrança
Dessa minha escapadinha

Desci no aeroporto
Estava meio chuvoso
Era no cair da tarde
E o trânsito, pavoroso!

Na estrada, num auto-imóvel
Que ficava mais parado
Do que andando na pista
E o povo desconsolado

Coisas que nós criamos
Automóvel, caminhão,
Estrada, trevo, buracos
Complicamos a evolução

Agradeci ao marciano
E antes de seguir além
Pedi que não abrisse o bico
E não contasse pra ninguém

Não contasse pra ninguém
Deste mundão sideral
O nó que o homem aprontou
Com esta obra celestial.





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