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segunda-feira, 30 de março de 2015

MEMORIA DE UM JOVEM NO TEMPO DA DITADURA MILITAR (final) 30-03-15


    Por – Eng.Agrônomo Orlando Lisboa de Almeida

     III – TEMPOS DO CURSINHO PRÉ VESTIBULAR – NO MED RUA AUGUSTA

     Fiz o Cursinho pré vestibular em 1972 em São Paulo no período noturno.  Tempo puxado, sem tempo para sair do trabalho como bancário em Mauá-SP e embarcar direto para São Paulo.   Banco até 18 h e o trem partia 18:32 rumo à estação da Luz, onde eu pegava um ônibus no rumo da Consolação, perto da Augusta.   O foco era vencer a etapa e ingressar na universidade e o desafio era passar na USP – na ESALQ Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba-SP e uma das razões de ordem prática era que eu não poderia estudar em período integral em outro lugar por falta de recursos.   Tinha que ser em Piracicaba, onde residia e reside minha irmã casada que deu o apoio logístico para eu vencer essa batalha. E assim foi.
     Nesse ano era foco total no trabalho de bancário e no cursinho à noite e assim foi feito.   No vestibular, consegui passar na ESALQ-USP que era meu sonho e em março de 1973 estava eu lá me matriculando para o curso que na época era de quatro anos em regime integral.   Agora, com o curso e estágio, são cinco anos.   Curso de Engenharia Agronômica.
     IV – O TEMPO DE UNIVERSIDADE    (1973-1976)
     A ESALQ foi fundada em 1901 e em 1934 quando a USP foi fundada, a ESALQ passou a integrar aquela universidade.    Minha turma, de 1976 foi a do Jubileu de Diamante, nos 75 anos do Campus de Piracicaba.
     Na ESALQ os cursos eram em período integral e a mesma era dotada de marcante tradição de luta dos estudantes.   A repressão do regime militar rondava por lá de forma dissimulada.   Tive inclusive em parte do curso um colega de turma que passou uma temporada fazendo o curso e tendo surgido do nada, desapareceu do nada sem deixar notícia.  Suspeitou-se que o mesmo era olheiro da repressão.
     Fui do CALQ, o Centro Acadêmico Luiz de Queiroz, mas na diretoria ocupei por breve tempo a modesta diretoria de patrimônio, a que não se envolvia de forma direta na agitação estudantil.   Os líderes eram de classe média alta para cima e tinham mais respaldo econômico da família para eventual crepe perpetrado pela repressão.   Eu, filho de operário, não tinha esse cacife e ia até onde podia chegar na luta estudantil, mas acompanhei a moçada dentro do possível.  O líder mais destacado da minha turma era o José Maria Jardim da Silveira, que fez carreira brilhante na  Academia, sendo professor na UNICAMP no topo da carreira, sempre na área de Humanidades.  O hobby dele até hoje é a montain bike.   
     Nos tempos da repressão um dos poucos modos que nós estudantes tínhamos de tentar nos contrapor aos desmandos da Ditadura era fazer recortes de jornais que traziam algum texto mais esclarecedor e fixar o artigo no mural do RU Restaurante Universitário para toda a galera ler.
     Outra forma de reação que foi criada em Piracicaba, que sempre foi inclusive uma grande cidade universitária, foi a criação do Salão do Humor de Piracicaba em 1973,      no ano que comecei o curso na cidade.    Os grandes cartunistas do Brasil em geral e de São Paulo e RJ em particular (a turma do Pasquim e muito mais) participaram.  Foi um sucesso marcante.   O cartum era sempre, na época, um grito de protesto contra a Ditadura, com engajamento, humor e arte.   
     Na atualidade o Salão de Humor de Piracicaba é uma referência no setor e tem abrangência internacional, o que já vem de longa data, por sinal.
     Na MPB na época faziam sucesso no meio estudantil e no meio artístico em geral músicos “engajados” na luta contra a repressão como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré e outros.   Canções memoráveis.   Conseguiam jogar um facho de luz na obscuridade dos tempos de chumbo da Ditadura, dando algum alento e voz à juventude rebelde, que lutava por democracia.
     Me formei em 1976 e em 1977  entrei no mercado de trabalho como Engenheiro Agrônomo em Umuarama-PR, distante 820 km da minha Mauá-SP, trabalhando como assessor técnico no Banco Mercantil de São Paulo, onde permaneci três anos e depois fui para Londrina pela mesma empresa por mais um ano.    Houve então um concurso específico da minha área no Banco do Brasil em 1980 e eu fui aprovado e então foram 32 anos de BB.   Em resumo, mesmo depois de formado em 1976, ainda a Ditadura estava vigente no Brasil e causou grandes danos a uma geração que viveu a mesma e tem seus desdobramentos em gerações seguintes que tem que reaprender a participar mais da vida em sociedade, buscando agir com cidadania por um País melhor.   Lutei e luto por isso e acredito no Brasil e busco, com as modestas armas que tenho, dessa empreitada.    É ter prioridade na busca do bem comum e participar de todos eventos possíveis onde o bem comum estiver em pauta.  É de suar a camisa mas vale a pena.    Assim os filhos e netos não poderão, jamais, nos chamar de omissos.      (Ongueiro desde sempre)                    orlando_lisboa@terra.com.br  






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