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domingo, 29 de setembro de 2013

ESTUDANTES DO VISCONDÃO NA CÂMARA DE MAUÁ (1968)

CRÔNICA DE MAUÁ E SUA GENTE III NOBRES VEREADORES Autor: Orlando Lisboa de Almeida Era por volta de 1967, 68 e nós estávamos no colegial no Viscondão. Na volta pra casa, todo mundo à pé, passada obrigatória ao menos pela porta do sagrado Bar ABC que ainda está firme e forte em Mauá-SP. O firme e forte fica por conta do saudosismo pois quem pode dizer isso de cadeira é quem freqüenta a casa nos dias atuais e ninguém mais. Sexta feira era quase certo um pit stop lá no Bar ABC para tomar uma cervejinha, jogar uma conversa fora e se divertir um bocadinho. E bar é bar, curva de rio onde passa e enrosca de tudo. Pois era comum até os nobres edis, os vereadores da cidade, após as sessões da Câmara, que ficava numa sobreloja bem perto da porteira da estação e mais perto ainda do Bar ABC, fazerem uma paradinha estratégica por lá. Conversa vai, conversa vem e de vez em quando a turminha se via misturada até com a prosa dos vereadores. Gente simples, povo como o povo que botou os homens lá na vereança. Um belo dia ou melhor, uma bela noite, os vereadores disseram algo como: Vocês são estudantes, já tem conhecimento de muitas coisas, poderiam ir de vez em quando assistir a algumas sessões na Câmara. Será uma satisfação para nós da Casa. Tinha lá até o Dito Loiola, mineiro, velho vereador que me parece que era tio de um amigo nosso da família Putini. Chamavam ele de Dito Gaiola na surdina do boteco. Mas esse não freqüentava o boteco, até porque era bem idoso e até brincavam de dizer que era quem mais fazia barulho na Câmara, ao cochilar e cair no chão... Era uma pessoa simples mas muito respeitado, muito íntegro. Pois chegou uma noite que a turminha resolveu subir os trinta degraus da escadaria para assistir uma sessão. Um deles bate uma sineta solene, três na mesa, Presidente, acho que um vice e o secretário. – Declaro aberta a Sessão! E nós lá. O presidente saúda os presentes e pede ao secretário para ler a ordem do dia: - Senhor Presidente, Senhores Vereadores, público presente. Recebemos aqui um ofício informando que faleceu o Dr. Fulano de Tal, cidadão de destaque no nosso município. O Presidente declarou em seguida: Em homenagem ao nobre cidadão Fulano de Tal, em sinal de luto oficial, declaro encerrada a Sessão. Bateu no sino e tchau!!! Como diria o personagem Chicó: “Só sei que foi assim”. Sessão II Um dia, passado um bocadinho de tempo, voltamos à Câmara para novo banho de iniciação à cidadania, afinal todo jovem tem o ímpeto de fazer um mundo melhor. E achamos curioso que a sessão foi aberta e desta vez a coisa engrenou. Aberta a sessão, começaram as votações dos projetos da pauta. Coisas de pouca monta, tipo nomes de rua, remanejamento de verbas no orçamento do município e por aí afora. O curioso é que o rito era meio assim: Projeto de lei número XXX referente alhos e bugalhos. Em discussão.... em votação.... (bate o martelo ou sino) .... aprovado. E nós lá sem entender. Não vimos discussão, não vimos votação e só vimos a marretada final: Aprovado. Depois fomos saber que os assuntos já tinham sido “exaustivamente” analisados, sopesados, destrinchados pelos vereadores e já havia acordo sobre os votos. E os votos eram sempre: Quem é à favor, permaneça como está (sentado) e quem for contra, favor se manifestar (ficar em pé). Todo mundo sentadinho, tudo aprovadinho sem afogadilho. E assim começamos nossos primeiros passos rumo à cidadania. Temos que arregaçar as mangas e ir pra peleja pois escrevemos a história ou alguém está escrevendo por nós.

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