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terça-feira, 6 de agosto de 2013

MEMÓRIA DO PARQUE DAS AMÉRICAS – MAUÁ – SP

MEMÓRIA DO PARQUE DAS AMÉRICAS – MAUÁ – SP   (ANOS 60/70)

             Orlando Lisboa de Almeida         orlando_lisboa@terra.com.br


     Tenho dito que cheguei aos 11 em Mauá no ano de 61.      Digamos que lá pelo ano de 1965 já dava umas voltas pela vizinhança.    Já fiz uma crônica sobre as Avenidas Rio Branco e Avenida Itapark dos anos 60,  no que consegui me recordar.   Desta vez, vou pegar o trecho de onde tem o viaduto da Saudade, cujo nome se liga à Avenida da Saudade, na Vila Vitória, que passa pelo cemitério com o mesmo nome.   Por falar nisso, bom lembrar que em frente ao Cemitério da Saudade tinha um quarteirão desocupado e lá era o campo de futebol do Vila Vitória, time amador de grande tradição na Vila.    Nos domingos, campo sem gramado, tinha jogo quase o dia todo.   Não tinha como maltratar o gramado.
     Voltando à rua que segue ali pela Indústria Pigmentos (Uniroyal) no rumo do Jardim Santa Lídia e na sequência, Parque das Américas.    À direita da rua, a linha do trem que não era cercada no passado.    Havia no trecho entre o local de onde hoje tem o viaduto, até lá perto da Porcelana Real, ao menos três pontos onde os pedestres atravessavam a linha para ir à Vila Vitória.   Um local era para ter acesso à Avenida da Saudade, outro era um pouco depois da Indústria de Pigmentos e o terceiro era lá perto do Bar do Carlão, já bem perto da Porcelana Real.     Lembrando que o Córrego Tamanduateí passa por ali e então era atravessar a linha do trem e a pinguela sobre o córrego, que já era  bem poluído, inclusive com pó branco da louça da Porcelana Real.
     Após a Pigmentos, a rua tinha do lado direito a linha do trem e do lado esquerdo, uma série de casas de alvenaria bem antigas, cujas paredes eram na divisa com a rua.  E por ali, um lugar baixo, perto do córrego, bastava chover para ficar um punhado de dias cheio de poças  de água.     E tinha até um senhor que criava um pequeno rebanho de cabras nesse trechinho de rua, bem perto da Pigmentos.   Era a Mauá de 30.000 habitantes dos anos 60.
     A cidade era povoada mesmo até o Jardim Santa Lidia nesse trecho, digamos até a direção da Porcelana Real.     Depois da Porcelana, seguindo no rumo de Ribeirão Pires, ainda havia muito verde, chácaras diversas, quase nada de casas e comércio.   Era o Guapituba, quase uma zona rural.
     Voltando ao trecho da Pigmentos seguindo rumo ao Santa Lidia, como foi dito, após a Porcelana Real, onde hoje é o Parque das Américas, era mato e córregos.   Mato que se estendia à frente e à esquerda e se ligava ao Mato da Aliança, lá pelos lados da Avenida Itapark, na curva desta, depois do Falchi e Jardim Salgueiro.
     Por falar em mato e córregos, às vezes eu ia por lá cortar capim para o cavalo que meu pai mantinha na Vila Bocaina nesse tempo.    Pois tinha no local onde hoje é o Parque das Américas uns córregos pequenos e bem rasos, de água cristalina na qual se via com muita freqüência, os girinos dos sapos, nadando em bando.   E chegamos a ver, para nossa surpresa, pequenos camarões de água doce, de aproximadamente um centímetro e meio.    Até então não sabia que havia camarão que vive na água doce.   Hoje por lá os córregos devem estar poluídos e canalizados, mas é o preço da ocupação, se bem que na atualidade a lei exige que se preserve os chamados Fundos de Vale, para preservar a água, a flora e fauna.

     Suponho que foi no início da década de setenta que abriram o loteamento do Parque das Américas e aquilo foi um furor.   Num instante a mata foi sendo ocupada por casas e mais casas, o comércio foi florescendo também por lá e em poucos anos o lugar tomou a forma  que evoluiu para o que temos na atualidade.     Não é à toa que, segundo dados da  Prefeitura de Mauá, em 1950, a cidade tinha 9.472 habitantes; em 1960, 28.924 habitantes; em 1970, 101.726 habitantes e 1980 eram 206.700 habitantes.   Grosso modo, triplicou de 50 a 60, também triplicou de 60 a 70 e duplicou de 70 a 80.    A olhos vistos, até 1970 a cidade se espalhava pelas partes mais baixas e começava a se expandir pelas encostas dos morros, mas os morros em geral ainda eram cobertos pela mata.   Se via isso olhando do centro para o lado do Magine, na entrada do Zaíra, para os morros da esquerda e direita e assim por diante.   Depois as moradias escalaram os morros e não sobrou lugar nem para os córregos correrem sossegados.   Como diria o personagem Chicó:    “Só sei que foi assim”.           

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